Elefantes tailandeses resgatados se transformam em estrelas do polo

Leticia Pastor.

Bangcoc, 13 mar (EFE).- Um grupo de elefantes asiáticos, resgatados das ruas na Tailândia pela fundação Triângulo de Ouro, se transformou no protagonista da competição Kings Cup Elephant Polo que termina neste domingo em Bangcoc.

A edição deste ano contém dez equipes e é disputada em uma grande extensão de gramado à margem do rio Chao Praya - que cruza a capital tailandesa -, onde um monge vestido com uma túnica laranja abençoou os animais na rodada de abertura na quinta-feira passada.

O guia espiritual leva em suas mãos o 'dao rueng', um enorme maço de raízes de árvore que simboliza a boa sorte, enquanto dá várias voltas ao redor de uma mesa repleta de flores e frutas.

Os cerca de 20 paquidermes participantes fazem parte de um grupo maior que a fundação Triângulo de Ouro, criada no ano 2003, recuperou da rua, onde se encontravam abandonados ou explorados, e alojou na província de Surin.

Os elefantes, que podem chegar a pesar até quatro toneladas, aceitam todo tipo de carinhos e cuidados por parte dos mahout, um termo de origem indiana pelo qual os guias são conhecidos.

O cuidador, sentado sobre o pescoço do animal e sem sujeição alguma, equipa o animal com todo o necessário para sair a campo e lhe pinta na pele um número com giz de cor para identificá-lo.

"Colocamos uma proteção para que os jogadores estejam confortáveis e uma corda com a qual lhes protegemaos as pernas para que não caiam", disse à Agência Efe o mahout Arisak.

No polo sobre elefante, ao contrário do praticado com cavalo, o jogador bate a bola - com um bastão de até três metros - para vazar a meta adversário e o cuidador comanda o elefante.

"Os jogadores e os mahout temos que trabalhar estreita. Como não falamos o mesmo idioma, os mahout levam nas costas instruções em inglês", detalhou Chris Stafford, criador da Fundação Triângulo de Ouro e jogador de uma das equipes.

As partidas são realizadas sobre uma superfície de 100 metros de comprimento por 60 metros de largura e duram dois tempos de sete minutos cada um.

Antes de começar cada partida, é oferecido aos animais um bufett livre de frutas e verduras.

"Um dos maiores prazeres para um elefante é a comida, por isso nos asseguramos de dar-lhes muita; principalmente fruta, que é seu alimento favorito", destacou à Efe Sophie Bergen, diretora do Mahout Elephant Camp.

"Os elefantes que participam do torneio provêm de situações muito precárias. Vivem parados o resto do ano, em um pequeno povoado sob um sol abrasador e com muito poucos alimentos", comentou Bergen.

O acampamento de elefantes coordenado por Bergen está situado na província de Chiang Mai (norte), onde mais de 25 elefantes convivem com 60 pessoas em um espaço estruturado como um povoado tradicional de mahout.

Acredita-se que o polo sobre elefantes nasceu nos alvores do século XX na Índia, embora a versão moderna date de 1982 no Nepal, pelas mãos de James Manclark - ex-atleta olímpico escocês - e Jim Edwards, que gerenciava um hotel no país.

Os organizadores do Kings Cup Elephant Polo esperam arrecadar nesta edição cerca de US$ 85 mil, a mesma quantia que conseguiram em 2014, e que destinaram a diferentes programas de conservação do elefante asiático.

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