Tema Cuba entra na campanha eleitoral dos EUA

Lucía Leal.

Washington, 12 mar (EFE).- A política em relação a Cuba entrou nesta semana na campanha presidencial dos Estados Unidos, com Donald Trump mostrando-se o único pré-candidato republicano a favor das relações diplomáticas com o país caribenho e com o democrata Bernie Sanders elogiando algumas características do comunismo cubano.

Às vésperas das eleições primárias na Flórida, que serão realizadas na próxima terça-feira, e da viagem que o presidente Barack Obama fará a Cuba neste mês, as ideias dos pré-candidatos dos partidos Democrata e Republicano ficaram claras em dois debates.

No democrata, que aconteceu na quarta-feira, em Miami, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders defenderam o restabelecimento das relações com Cuba e a necessidade de que o Congresso suspenda o embargo ao país.

Os moderadores reproduziram uma entrevista que Sanders deu em 1985, na qual o então prefeito de Burlington (cidade no estado de Vermont) criticou a invasão americana de Cuba em 1961 e elogiou as melhoras em saúde e educação durante o regime de Fidel Castro.

Sanders respondeu que seu objetivo na entrevista "era dizer que os Estados Unidos se equivocaram ao tentar invadir Cuba", assim como em suas muitas tentativas de "mudar regimes" na América Latina.

Perguntado se está arrependido do que disse na ocasião, o senador afirmou que "Cuba é, certamente, um país autoritário e antidemocrático" e manifestou sua confiança quanto a que "se transforme o mais rápido possível em um país democrático".

"Mas seria incorreto não reconhecer que em Cuba foram feitos bons avanços em saúde. Estão enviando médicos a todo o mundo e fizeram alguns avanços em educação", declarou.

Essa resposta o fez receber algumas vaias do público presente. Em Miami, parte do exílio cubano é cética quanto à aproximação de Obama em relação a Cuba e vê com maus olhos tudo o que se assemelhe a um elogio para os irmãos Fidel e Raul Castro.

Hillary tentou tirar proveito desse cenário ao afirmar que Sanders elogiou em sua entrevista de 1985 a "revolução de valores" em Cuba e alegou que não poderia estar "mais em desacordo" com esse enfoque quando na ilha as autoridades "oprimiam as pessoas, as faziam desaparecer, as prendiam ou até as matavam por expressar suas opiniões".

Será preciso esperar até terça-feira para ver se esse debate dará prejuízo a Sanders entre os eleitores de origem cubana na Flórida.

Mas, pelo menos entre os democratas, Cuba parece ter deixado de ser o assunto espinhoso que foi no passado, já que 77% dos americanos apoiam a normalização de relações com o país caribenho, segundo uma pesquisa divulgada no ano passado pelo centro de estudos Pew.

Entre os americanos de origem cubana, 53% respaldam essa abertura, segundo uma pesquisa divulgada em dezembro pela empresa especializada em pesquisas Bendixen & Armandi, e as gerações jovens são as que mais simpatizam com a nova política.

Mas no lado republicano, a tônica geral continua a ser rejeitar a aproximação diplomática com a ilha enquanto não houver mudanças políticas substanciais, como mostrou o debate realizado na quinta-feira entre os quatro candidatos em disputa.

Os senadores de origem cubana Marco Rubio e Ted Cruz prometeram romper as relações com Cuba se chegarem ao poder, enquanto o governador de Ohio, John Kasich, se limitou a dizer que acabaria com a política dos EUA de "tratar melhor seus inimigos que seus amigos".

A nota discordante veio de Trump, que disse que não está "de acordo com o presidente Obama" sobre a política para com Cuba, mas está "a meio caminho" entre a posição do atual chefe de governo e a rejeição absoluta de seus rivais republicanos.

"Acredito que tem que haver algo (que mude a relação com Cuba). Após 50 anos, já chegou a hora, amigos", ressaltou.

O magnata defendeu que é preciso "um acordo muito melhor" que o que foi firmado em julho do ano passado para restabelecer as relações diplomáticas e antecipou que provavelmente fechará a embaixada americana em Havana até que haja um novo pacto com Cuba.

"Gostaria de conseguir um acordo forte e bom, porque atualmente todos os aspectos deste acordo favorecem Cuba", argumentou.

Trump também fez uma vaga advertência sobre a possibilidade de que os cubanos processem os EUA em "US$ 400 bilhões ou US$ 1 trilhão" se não for atendido seu pedido de ressarcimento pelos prejuízos relacionados com o embargo.

Já Rubio recebeu muitos aplausos ao declarar que, se os cubanos processarem os EUA em um tribunal, "perderiam" o litígio e que o único "bom acordo" aceitável seria que Cuba "tenha eleições livres, deixe de colocar pessoas na prisão por protestar e tenha liberdade de imprensa", entre outras condições.

"Então poderíamos ter uma relação com Cuba", ressaltou o senador, que precisa de uma vitória na Flórida para salvar sua campanha presidencial.

Além da questão de como os americanos de origem cubana votarão nas primárias de terça-feira, a tardia entrada da questão de Cuba nos debates eleitorais sugere que este não será um assunto dominante no restante de campanha.

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