Ministro da Justiça do Egito renuncia após polêmico comentário sobre Maomé

Cairo, 13 mar (EFE).- O ministro da Justiça do Egito, Ahmed al Zend, renunciou neste domingo, a pedido do primeiro-ministro do país, Sherif Ismail, após a polêmica gerada por um comentário que fez sobre o profeta Maomé em entrevista transmitida pela televisão.

Ismail ligou hoje para Zend para pedir sua renúncia, que o próprio aceitou, disse à Agência Efe uma fonte do Conselho de Ministros.

Na sexta-feira, em entrevista à rede de TV "Sa'adah al Balad", Zend foi perguntado sobre um caso no qual vários jornalistas estão sendo julgados por difamação por o acusarem de adquirir terrenos do Estado abaixo do preço de mercado.

O entrevistador lhe perguntou se estaria de acordo com a prisão de jornalistas, ao que o ministro respondeu: "Mesmo se fosse o profeta (Maomé)".

"Se a prisão não foi criada para estas pessoas, então para quem?", acrescentou.

Esses comentários geraram uma grande polêmica nas redes sociais, nas quais vários usuários chegaram a pedir que Zend fosse julgado por insultar a religião.

Horas antes da renúncia, a instituição mais importante do islã sunita, Al Azhar, advertiu sobre insultos a Maomé.

Em comunicado, a instituição destacou que o profeta "não deve ser objeto de nenhum insulto, mesmo de maneira involuntária", e ressaltou que Maomé é "a honra e o orgulho desta nação".

Ontem, em um programa da rede de televisão "CBC", o agora ex-ministro pediu perdão por seu comentário e afirmou que foi um "lapso linguístico".

Esta não foi a primeira polêmica na qual Zend, nomeado em maio do ano passado como ministro da Justiça, se envolveu.

Em 28 de janeiro, ele declarou em outro programa da "Sa'adah al Balad" que gostaria de ver mortos 10 mil membros do grupo islamita Irmandade Muçulmana - que foi ilegalizado após o golpe de Estado de julho de 2013 - por cada militar egípcio que morreu no país.

Durante o mandato do agora ex-presidente Hosni Mubarak, Zend se caracterizou por seu apoio ao ditador e sua oposição aos juízes reformistas que defendiam a independência do judiciário, muitos deles partidários da Irmandade.

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