Ministra diz que Itália "não é um país para mulheres" e alerta sobre sexismo

Roma, 14 mar (EFE).- Em meio à polêmica sobre o papel da mulher na política italiana, a ministra da Saúde, Beatrice Lorenzin, lamentou os fatos e disse nesta segunda-feira que a Itália "não é um país para mulheres".

"Este país não é para mulheres. O que está acontecendo é incrível e revela uma misoginia profunda", afirmou ela em comunicado.

A polêmica começou depois que o candidato conservador à Prefeitura de Roma, Guido Bertolaso, descartou incluir em sua hipotética equipe de governo a líder do ultraconservador Irmãos da Itália, Giorgia Meloni, que está grávida, porque em sua opinião, ela "deve pensar em ser mãe". Depois, em outro episódio, a candidata do M5S à Prefeitura de Milão, Patrizia Bedori, deixou à campanha após ser insultada por sua aparência.

"Meloni deve pensar em ser mãe. Acredito que é a coisa mais bela que pode acontecer a uma mulher. Deve escrever esta página de sua vida. Não entendo por que obrigá-la a fazer uma campanha eleitoral que será feroz", afirmou ao canal "A7".

Giorgia, por sua vez, respondeu dizendo que quer ser "uma ótima mãe tal qual aquelas mulheres que, entre mil dificuldades e frequentemente em condições muito mais difíceis, conciliam seus compromissos profissionais com a maternidade".

No outro caso, a candidata Patrizia Bedori anunciou que deixará a disputa para as eleições municipais após receber uma série de insultos, incluindo criticas a sua beleza e a seu peso. A ministra Beatrice lamentou a saída de Patrizia e lembrou que na política "ninguém critica um homem por ser feio ou gordo".

"Todo isso demonstra uma falta de respeito a mulher e a ausência de reconhecimento da mulher como sujeito político", defendeu.

Já sobre Patrizia, a ministra da Saúde afirmou que a maternidade tem "um valor agregador a mulher política porque concede sensibilidade com relação ao sofrimento das pessoas".

A ministra para as Reformas Constitucionais, Maria Elena Boschi, que já foi criticada por ser jovem, também saiu em defesa da política feminina.

"Quando pedirão a um candidato sair porque não é fotogênico? Ou porque precisa ser pai? Solidariedade a #Bedori e #Meloni", reivindicou ela em seu perfil no Twitter.

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