Supostas vítimas de pedofilia em diocese de Lyon pedem ajuda ao papa

Paris, 14 mar (EFE).- Supostas vítimas de abusos por parte de um padre da diocese de Lyon, no sul da França, escreveram nesta segunda-feira uma carta ao papa Francisco para solicitar uma audiência privada no Vaticano e explicações sobre a gestão desse caso, que atingiu também um cardeal francês.

Os signatários, agrupados na associação La Parole Liberée, se apresentam como vítimas do "padre pedófilo Bernard Preynat" e destacam que "muita gente foi cúmplice por seu comportamento e seu silêncio nos anos 70".

O jornal "Le Parisien" publicou hoje partes dessa carta e lembrou que a polêmica na diocese de Lyon afeta esse sacerdote, que nos anos 90 foi transferido de paróquia para evitar o escândalo, e também o arcebispo de Lyon, o cardeal Philippe Barbarin, denunciado por encobrimento.

O primeiro, de 71 anos, foi acusado em janeiro por suposta agressão sexual, enquanto o segundo é alvo de uma investigação judicial por ausência de denúncia e por ter colocado em perigo a vida alheia.

"Temos a impressão de que nosso pedido de verdade envergonha e que a palavra não é bem-vinda", dizem os três signatários, que pedem ao papa que dedique tempo para conhecê-los e ajudá-los a "entender" como um sacerdote do qual se conhecia seu comportamento pôde estar em ativo até agosto.

As três supostas vítimas, segundo o "Le Parisien", querem saber por que o arcebispo não foi tirado de suas funções antes, apesar de o fato ter sito relatado desde 2007, e por que demorou seis meses em aplicar a sanção ditada em Roma, que lhe proibiu o contato com crianças.

"Ao se fechar no silêncio, nosso cardeal perdeu toda credibilidade. Essa é a razão para fazermos hoje uma chamada ao papa Francisco, que tem nossa confiança. Para nós, é a referência moral suprema", diz ao jornal um desses três remetentes, Bertrand Virieux, cardiologista de profissão.

Na carta enviada hoje a Roma e assinada em Lyon, os três não pedem a cassação do arcebispo, mas ao se dirigir a ele diretamente, acrescenta o rotativo, seus signatários sabem que vão contar com alguém que vai escutar.

Francisco, o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta, instituiu em maio de 2013 uma comissão para prevenir os casos de pedofilia na Igreja e, mediante um "motu proprio", aprovou a reforma do código penal da Santa Sé, que contempla e reforça as sanções contra essa prática.

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