Kerry se reunirá com Putin na próxima semana para falar sobre a Síria

Washington, 15 mar (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou nesta terça-feira que viajará na próxima semana a Moscou para se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e conversar sobre o processo político na Síria.

Em Washington, Kerry disse que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também participará do encontro, que servirá para avaliar "como impulsionar de forma eficaz o processo político" na Síria e "tirar proveito deste momento".

"Hoje, quando ocorre o quinto aniversário do início desta horrível guerra, pode ser que estejamos diante da melhor oportunidade que tivemos em anos para acabar com ela", afirmou Kerry em entrevista conjunta com o ministro das Relações Exteriores da Geórgia, Mikheil Janelidze.

"Chegamos a uma fase muito importante neste processo, já que a cessação de hostilidades está sendo respeitada quase totalmente, a Rússia anunciou que retirará imediatamente a metade de suas forças na Síria e que há negociações políticas nesta semana em Genebra", completou o chefe da diplomacia americana.

Kerry também celebrou a decisão da Rússia de retirar a maior parte de suas tropas da Síria, um anúncio feito ontem por Putin.

Apesar de o secretário de Estado não ter informado quando viajará a Moscou, o porta-voz do órgão, John Kirby, lembrou que Kerry acompanhará o presidente do país, Barack Obama, na visita a Cuba entre o próximo domingo e a terça-feira. "A viagem à Rússia ocorrerá somente depois", disse Kirby, sem antecipar a data.

Os EUA consideram que a decisão de Putin de retirar a maior parte do grupamento aéreo enviado em setembro do ano passado à Síria é "um sinal potencialmente positivo e encorajador", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado em sua entrevista coletiva diária.

Se Putin completar o anúncio da retirada das tropas e concentrar as que permanecerem no país "no combate ao Estado Islâmico (IE) e à Frente al Nusra, essas serão contribuições bem-vindas", completou.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, reconheceu que os EUA não receberam nenhum aviso prévio sobre o anúncio feito por Putin ontem, mas garantiu que a ligação feita por Obama ao presidente russo já estava programada antes da divulgação da notícia.

"As primeiras indicações que temos apontam que os russos estão cumprindo (com esse anúncio). Mas ainda é cedo para determinar qual é o impacto disso na situação geral da Síria", disse Earnest.

"A intervenção militar russa deu força ao presidente sírio Bashar al Assad e só complicou a possibilidade de uma solução política (para o conflito)", avaliou o porta-voz da Casa Branca.

Ao longo da operação, os EUA acusaram a Rússia reiteradas vezes de concentrar os ataques nas posições nas milícias contrárias a Assad e não no EI, além de provocar vítimas entre a população civil, algo sempre negado por Moscou.

"Se seguirem adiante com a retirada e se permanecerem envolvidos de forma construtiva no esforço internacional para conseguir conversas de paz entre as partes, esse seria um resultado positivo", comentou Earnest sobre a atuação russa no conflito.

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