Congresso peruano quer ouvir presidente sobre propina de empresas brasileiras

Lima, 15 mar (EFE).- Uma comissão parlamentar que investiga as denúncias de suposto pagamento de propina a funcionários peruanos por empresas brasileiras solicitou o depoimento do presidente do Peru, Ollanta Humala, informou nesta terça-feira o presidente da comissão, o legislador Juan Pari.

Em comunicado enviado pelo Congresso, Pari afirmou que a solicitação já foi enviada ao presidente e que estão "à espera de uma resposta positiva".

Pari disse que espera que o presidente "reaja de maneira positiva" diante da preocupação que a comissão tem sobre os diferentes temas analisados devido a possíveis atos de corrupção.

O parlamentar também relatou que um eventual pedido de quebra do sigilo bancário da primeira-dama do país, Nadine Heeredia, é um tema reservado.

"É um tema reservado, o que o grupo de trabalho está fazendo é suspender o sigilo bancário de funcionários envolvidos nesta investigação", explicou o legislador.

No dia 23 de fevereiro, o presidente Humala negou ter qualquer relação com os supostos pagamentos feitos por uma empresa brasileira e convocou o embaixador do Brasil em Lima, Marcos Leal Raposo Lopes, "para solicitar informação oficial sobre o assunto em particular".

De acordo com a imprensa peruana, o site "Globo" publicou um relatório elaborado pela Polícia Federal do Brasil durante as investigações da Operação Lava Jato que afirma que Humala seria um dos funcionários estrangeiros que supostamente teriam recebido pagamentos de propina da construtora Odebrecht.

Após tomar conhecimento dessa informação, o embaixador brasileiro foi chamado ao Palácio de Governo por Humala, para participar de uma reunião que também contou com o presidente do Conselho de Ministros, Pedro Cateriano, e com a ministra das Relações Exteriores, Ana María Sánchez, para "expressar sua rejeição diante de tais afirmações e solicitar informação oficial sobre o particular".

A empresa Odebrecht Peru afirmou depois em comunicado que "nunca realizou doações, nem entrega indevida de dinheiro, a partidos políticos e autoridades públicas".

"As notícias na imprensa que relacionam o Peru com as investigações da Lava Jato evidenciam que não se trata de uma acusação formal, mas de avaliações preliminares baseadas na interpretação de apontamentos por parte da Polícia Federal do Brasil", acrescentou a empresa.

O Congresso do Peru criou em novembro do ano passado uma comissão para investigar o suposto pagamento de propina de empresas brasileiras para funcionários peruanos no contexto da Lava Jato

A comissão parlamentar investiga as supostas reuniões da empresária brasileira Zaida Sisson com autoridades do segundo governo de Alan García e do presidente Humala.

O congressista Sergio Tejada, presidente da comissão parlamentar que investigou as irregularidades do segundo governo de Alan García, afirmou que Sisson esteve pelo menos sete vezes no Palácio de Governo e que foi recebida pelo ex-presidente.

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