Coreia do Norte condena estudante americano a 15 anos de trabalhos forçados

Em Seul e Tóquio

  • Xinhua/Lu Rui

    O estudante americano Otto Frederick Warmbier chega a tribunal para julgamento em Pyongyang (Coreia do Norte)

    O estudante americano Otto Frederick Warmbier chega a tribunal para julgamento em Pyongyang (Coreia do Norte)

O jovem americano detido há dois meses na Coreia do Norte foi condenado nesta quarta-feira (16) a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda política do hotel no qual estava hospedado na capital Pyongyang, informou a agência japonesa Kyodo.

Otto Frederick Warmbier, um estudante de 21 anos da Universidade da Virgínia, foi condenado pela Suprema Corte norte-coreana 16 dias depois que reconheceu publicamente seu "crime", em uma confissão que pode ter sido forçada pelas autoridades norte-coreanas.

A Coreia do Norte utilizou em outras ocasiões as detenções de cidadãos americanos para tentar iniciar negociações políticas com Washington, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas.

A decisão judicial considera que o estudante realizou um ato hostil contra o Estado ao tentar roubar um cartaz com um slogan político de uma área reservada para funcionários do hotel Yanggakdo, na capital norte-coreana.

Em sua confissão feita em 29 de fevereiro, Warmbier declarou que agiu por ordem de uma igreja protestante de Ohio e com apoio de uma agremiação universitária para "prejudicar a motivação e a ética de trabalho do povo coreano" e "insultar" a Coreia do Norte "em nome do Ocidente".

Também afirmou que a CIA (Agência de Inteligência do governo dos EUA) tinha conhecimento de sua "missão" e mencionou um suposto plano de Washington para causar prejuízo à Coreia do Norte através da igreja metodista.

A pena de 15 anos de trabalhos forçados é a mesma que foi ditada contra o missionário Kenneth Bae, o americano que permaneceu mais tempo retido na Coreia do Norte, com mais de 2 anos até sua libertação em novembro de 2014.

A Human Rights Watch classificou a decisão judicial de hoje como "degradante, impactante e intolerável" e exigiu que Pyongyang "considere o erro do estudante como um pequeno delito, como na maioria dos países, e o liberte por razões humanitárias", em comunicado assinado por Phil Robertson, subdiretor da Ásia da ONG.

A condenação acontece em um momento de alta tensão entre Pyongyang e a comunidade internacional, depois que a Coreia do Norte foi alvo de novas sanções por conta dos testes nuclear e de mísseis realizados no início deste ano.

Desde então, o regime de Kim Jong-un reivindicou seu direito soberano ao desenvolvimento de mísseis e de armas nucleares e ameaçou EUA e Coreia do Sul com "ataques preventivos".

Em casos similares anteriores, os réus foram libertados após negociações entre representantes norte-coreanos e americanos.

Embora seja difícil um indulto a curto prazo devido às tensas relações entre ambos os países, Warmbier provavelmente será liberado no futuro da mesma forma que ocorreu com outros compatriotas retidos anteriormente.

O estudante, que tinha entrado como turista, é um dos três cidadãos de países ocidentais atualmente detidos na Coreia do Norte, todos por supostamente cometerem atos contra o regime de Kim Jong-un.

Os outros dois são Hyeon Soo-lim, um pastor protestante nascido no Canadá condenado a prisão perpétua, e Kim Dong-chul, um sul-coreano naturalizado americano.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos