Crise de alimentos atinge duramente milhões de pessoas no Haiti

Etant Dupain.

Porto Príncipe, 16 mar (EFE).- O Haiti está vivendo uma grave crise alimentar, efeito da seca causada pelo fenômeno meteorológico "El Niño", e da falta de produção agrícola, o que faz com que mais de 3 milhões de pessoas precisem de ajuda para conseguir alimentos e que 1,5 milhão estejam em situação de emergência.

Os preços dispararam nos mercados, gerando uma inflação que chega a 14% este ano, conforme dados do Banco Central do Haiti, em um país que tem uma taxa de desemprego de mais de 70%. Perante esta situação, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CNSA) anunciou um plano para ajudar 40 mil famílias das 20 comunidades mais afetadas pela seca, com um investimento de 2 bilhões de gourdes (pouco mais de R$ 130 milhões), segundo dados publicados pela entidade.

Viviane Paul, que trabalha no mercado popular de Petionville vendendo arroz, legumes e outros produtos básicos, afirmou que desde o ano passado os preços subiram e as pessoas não têm mais condição de comprar.

"Eu vendo produtos locais, mas eles encareceram, pois a produção está pequena. Com isso, a população não pode comprar. Estou liquidando os produtos que tenho e vou procurar outra atividade. O que comprava com 3 mil gourdes (R$ 180) há dois anos, hoje custa o triplo. É impossível fazer negócio assim", afirmou.

Em janeiro de 2015, a taxa de inflação era do 6,5%, hoje é o dobro. A taxa de câmbio com relação ao dólar, por sua vez, há pouco mais de um ano era de 46,9 gourdes, e agora está em 60.

Os prognósticos para 2016 não são bons. De acordo com o presidente do país, Jocelerme Privert, que assumiu o poder na metade do mês passado, a menos que haja uma intervenção urgente na economia haitiana, o país terá "graves problemas financeiros".

Ele afirmou em mais de uma ocasião que com as inundações e os efeitos da seca do ano passado, o total de pessoas em insegurança alimentar pode chegar a 5 milhões, quase a metade da população.

O deputado Tanis Tertius, representante da comunidade Limonade, no extremo norte do país, uma das zonas atingidas pela seca e falta de recursos para os agricultores, tem a mesma opinião.

"Estamos em uma situação muito grave, os governos anteriores abandonaram a agricultura e hoje estamos pagando o preço das más políticas", afirmou.

Tertius, que é membro da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, disse à Efe que hoje o problema principal da economia é a falta de investimento na produção.

"Estamos produzindo de maneira arcaica. Quase não temos mais "classe média" e há mais pobres do que nunca. Sem intervenção por parte do estado a crise vai a piorar", afirmou o deputado, que manifestou seu desejo de trabalhar com outros colegas para criar políticas de emprego sustentável para apoiar a produção local e a agricultura, já que apenas a importação e a ajuda humanitária não bastam.

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