Palácio do Planalto confirma Lula como novo ministro da Casa Civil

Brasília, 16 mar (EFE).- O Palácio do Planalto confirmou nesta quarta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal alvo da 24ª fase da operação Lava Jato, será o novo ministro chefe da Casa Civil.

Em nota oficial, a presidente Dilma Rousseff comunicou que Lula assumirá a pasta, até então era ocupada por Jaques Wagner, que será transferido para a chefia do gabinete pessoal da presidência da República.

"A presidenta da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro de Estado chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República. Assumirá o cargo de ministro de Estado chefe da Casa Civil o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva", diz o comunicado.

A decisão foi tomada após diversas reuniões entre Dilma e integrantes do governo. Segundo fontes oficiais, uma das principais tarefas de Lula será aglutinar a fragmentada base parlamentar do governo em meio ao eventual processo de impeachment que pode ser retomado contra a presidente nos próximos dias.

Ao assumir o cargo, Lula passará a ter foro privilegiado e todas as acussações que enfrenta deverão ser encaminhadas ao Superior Tribunal Federal (STF), que deverá julgar todos os processos.

A oposição considerou a nomeação como uma tentativa de Dilma para ajudar o ex-presidente a "escapar" da ação da justiça devido ao foro privilegiado de ministro.

Apesar da influência do cargo, foi da Casa Civil que quase todos os ocupantes saíram envolvidos por grandes escândalos de corrupção nos últimos anos.

José Dirceu, que ocupou o cargo durante os dois primeiros anos do primeiro mandato de Lula, está preso acusado de participar do escândalo da Petrobras e já havia sido condenado a 10 anos de prisão por envolvimento no mensalão.

Dirceu foi sucedido por Dilma, que saiu limpa do cargo, mas sua sucessora Erenice Guerra é investigada por diversos assuntos, entre eles o caso Petrobras.

Com Dilma no poder, a Casa Civil esteve primeiro nas mãos de Antonio Palocci, destituído após cinco meses por denúncias de enriquecimento ilícito e agora suspeito de participar da corrupção na estatal, assim como sua sucessora, a senadora Gleisi Hoffmann.

O cargo foi ocupado posteriormente por Aloizio Mercadante, atual ministro da Educação, acusado na terça-feira pelo senador Delcídio do Amaral - que cumpre acordo de delação premiada após ser detido durante a operação Lava Jato - de tentar suborná-lo em troca de não cooperar com a justiça.

Jacques Wagner, que deixará o posto para a entrada de Lula, será o primeiro ministro de Dilma a deixar o cargo sem suspeitas, desde que a própria governante tomou posse em março de 2010.

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