EUA retirarão sigilo sobre documentos militares da ditadura argentina

Washington, 17 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará durante sua visita à Argentina, na próxima semana, um plano para retirar o sigilo, pela primeira vez, de documentos militares e de inteligência de seu país sobre a "guerra suja" da última ditadura argentina (1976-1983), informou nesta quinta-feira a Casa Branca.

"A pedido do governo argentino, o presidente (Obama) anunciará um amplo esforço para retirar o sigilo de mais documentos, incluindo, pela primeira vez, registros militares e da inteligência" americanos, afirmou a assessora de segurança nacional da presidência, Susan Rice.

"Continuaremos fazendo nossa parte à medida em que o povo argentino segue superando as feridas" da ditadura, acrescentou Rice em discurso sobre a América Latina no centro de estudos Atlantic Council, em Washington.

Em 2002, o Departamento de Estado retirou o sigilo de cerca de 4.700 documentos sobre a "guerra suja" travada pelo regime militar argentino contra organizações armadas opositoras, partidos e sindicatos de esquerda que deixou 30 mil desaparecidos, segundo estimativas de organizações de direitos humanos.

Esses documentos ajudaram em vários processos judiciais, mas não responderam a pergunta de até que ponto o governo americano conhecia e aprovava os abusos que estavam sendo cometidos na Argentina, lembrou hoje o jornal "The New York Times" em editorial.

"É hora que o governo faça o que ainda pode fazer para levar os culpados à justiça e oferecer aos familiares das vítimas algumas das respostas que estão buscando", diz o texto.

A visita de Obama à Argentina coincidirá com o 40º aniversário do golpe que deu início à última ditadura no país, por isso o presidente planeja visitar o Parque da Memória de Buenos Aires para prestar homenagem às vítimas da "guerra suja", explicou Rice.

Obama se reunirá também com o presidente argentino, Mauricio Macri, e ambos planejam anunciar uma série de iniciativas "para combater o crime, o narcotráfico e a mudança climática", além de desenvolver sua cooperação em energia, segundo a assessora.

"Estamos impressionados com muitas das reformas que Macri fez e acreditamos que a Argentina pode ser um sólido aliado em muitas áreas", declarou Rice.

Obama chegará a Buenos Aires na noite da próxima terça-feira, procedente de Cuba, e ficará no país até a quinta. Esta será a primeira visita oficial de um presidente americano à Argentina em quase 19 anos.

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