Jornalista chinês desaparece após comentar carta que critica Xi Jinping

Pequim, 17 mar (EFE).- Um conhecido jornalista chinês, Jia Jia, está desaparecido desde terça-feira, quando iria tomar um avião com destino a Hong Kong desde Pequim, e parentes e amigos temem que esteja em mãos das autoridades por uma carta que pedia a renúncia do presidente chinês, Xi Jinping.

Assim explica o famoso blogueiro e amigo do jornalista, Wang Wusi, em mensagem à qual nesta quinta-feira a Agência Efe teve acesso e que Wang divulgou em um aplicativo de mensagens de celular.

O blogueiro diz que "há a suspeita" de que o desaparecimento de Jia tenha a ver com seu interesse por uma carta que, assinada de forma anônima por "membros leais ao Partido Comunista", pede a renúncia de Xi Jinping.

A carta foi postada no portal "Wujie News", ligado ao governo, em 4 de março, na véspera do início da sessão anual do plenário do Legislativo chinês, apesar de ter sido retirada pouco depois.

Segundo explica Wang, Jia conheceu a existência desta carta através de comentários de amigos no Wechat (o Whatsapp chinês) e entrou em contato com o diretor-executivo do portal, Ouyang Hongliang, com quem trabalhou no passado.

Pouco depois, as autoridades encarregadas de censurar o conteúdo na internet, interrogaram Ouyang e aparentemente este comentou que a primeira notícia que tinha recebido da carta tinha sido por boca do jornalista, aponta o blogueiro.

Pouco depois, parentes de Jia na província central de Shaanxi foram também interrogados, acrescenta.

Segundo a Agência Efe confirmou, o jornalista chinês foi ao aeroporto de Pequim para pegar um voo a Hong Kong, mas nunca aterrissou na ilha, e também não apareceu hoje em uma conversa à qual estava previsto que participasse.

Jia vive atualmente em Hong Kong e é uma figura muito conhecida dos veículos de imprensa. Trabalhou como editor e colunista para vários meios, e há pouco dá aulas em uma universidade do sul da China.

A carta contra Xi começa admitindo certas melhoras graças à campanha anticorrupção do presidente, mas em seguida diz que, devido à concentração de poderes de Xi -a maior de um líder chinês desde Mao Tsé-tung-, "estamos experimentando problemas sem precedentes".

Politicamente, denuncia que Xi "debilitou o poder de todos os órgãos estatais", entre eles o do primeiro-ministro, Li Keqiang; no plano diplomático, afirma que seu abandono da fórmula de Deng Xiaoping de "ocultar a força" falhou, e põe como exemplo a crise norte-coreana.

No plano econômico, cita a crise das bolsas e o excesso de capacidades da indústria como sinal de fracasso, e no ideológico e cultural aponta que sua "ênfase de que o Partido seja o sobrenome dos veículos de imprensa" impactou a população.

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