Paquistão permite que Musharraf saia do país para receber tratamento médico

Islamabad, 17 mar (EFE).- O governo paquistanês decidiu nesta quinta-feira permitir ao ex-presidente Pervez Musharraf, acusado entre outros crimes de traição, de deixar o país depois que a Suprema Corte rejeitou ontem sua apelação para impedí-lo.

"Os advogados de Musharraf apresentaram hoje um pedido (para sair do país) e com vista na decisão do Tribunal Supremo, o governo decidiu permitir viajar ao estrangeiro para que ele possa receber tratamento (médico)", disse em entrevista coletiva em Islamabad o ministro do Interior, Nisar Ali Khan.

O ministro indicou que Musharraf "prometeu" retornar em entre quatro e seis semanas para enfrentar todos os casos judiciais contra si.

O principal órgão judicial paquistanês ratificou ontem a decisão tomada em 2014 pelo Tribunal Superior da província de Sindh de permitir a saída de Musharraf e rejeitou a apelação do governo.

O Executivo do primeiro-ministro Nawaz Sharif, que foi derrubado pelo então militar em um golpe de Estado em 1999, proibiu Musharraf de sair do país após apresentar uma denúncia contra si em 2013 por alta traição, um crime pelo qual poderia ser condenado à pena de morte.

Segundo a televisão "Geo TV", o ex-general não pôde viajar ontem pela noite a Dubai porque seu nome continuava em uma lista do aeroporto de pessoas que não podem deixar o país.

Musharraf, que exerceu o poder no país durante quase uma década após o golpe de Estado, foi internado em um hospital em duas ocasiões no mês passado e seus médicos recomendaram que recebesse tratamento médico no exterior, segundo o escritório do ex-militar.

O principal caso contra si e que está em um tribunal especial foi aberto a pedido do governo por traição por suspender a ordem constitucional e decretar a detenção de dezenas de juízes em 2007, durante uma queda de braço com o Poder Judiciário.

Além disso, é acusado de conspiração pelo assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e pela morte de um clérigo na operação armada que ordenou lançar na Mesquita Vermelha, todos eventos ocorridos em 2007.

Musharraf, único dos quatro ditadores militares do Paquistão que foi detido, tentou há três anos retomar sua carreira política ao voltar ao país para participar das eleições gerais, mas a justiça o impediu e ele acabou detido.

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