Agenda de Obama mostra intenção de tornar reatamento com Cuba irreversível

Lucía Leal.

Washington, 18 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tentará tornar "irreversível" a aproximação com Cuba com sua histórica visita à ilha, em que terá tempo para falar com o governo e com os dissidentes, discursar para o povo cubano e aproveitar uma paixão comum dos dois países: o beisebol.

Obama chegará a Cuba no domingo à tarde e ficará até a terça-feira na primeira visita de um presidente americano no exercício do cargo ao país caribenho em 88 anos, desde que Calvin Coolidge desembarcou na ilha em 1928.

Sua agenda será um reflexo dos diferentes interesses americanos na nova relação com Cuba, da vontade de Obama de "conversar não só com o governo, mas também com o povo cubano", como indicou na quarta-feira o assessor adjunto de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, em entrevista coletiva telefônica.

Em seu último ano no poder, e com as ameaças de alguns candidatos republicanos à presidência americana de romper novamente as relações com Cuba, Obama está decidido a acelerar a aproximação o máximo possível.

"Queremos que o processo de normalização seja irreversível", garantiu Rhodes.

O presidente viajará acompanhado de sua esposa, Michelle, suas filhas, Malia e Sasha, e de sua sogra Marian Robinson. A família passeará por Havana Velha no domingo à tarde.

No itinerário se destaca uma visita à catedral, onde serão recebidos pelo arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, a quem Obama quer agradecer pelo apoio, assim como o do papa Francisco, ao processo de negociação que permitiu iniciar o degelo bilateral após meio século de inimizade.

Segunda-feira Obama começará sua agenda oficial com uma breve cerimônia em que depositará uma coroa de flores no monumento a José Martí, e em seguida terá uma reunião bilateral com o presidente cubano, Raúl Castro.

Obama repassará com Raúl os avanços no processo de normalização, e será "muito franco sobre as áreas em que há desacordo, incluído os direitos humanos" em Cuba, além de explorar como podem "aumentar os intercâmbios entre os povos e as oportunidades comerciais bilaterais", afirmou Rhodes.

Também abordarão temas regionais, entre eles as negociações de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que acontecem em Cuba.

O secretário de Estado americano, John Kerry, acompanhará Obama na viagem, e "terá a oportunidade de revisar os avanços do processo de paz colombiano", indicou Rhodes.

Mas ele não confirmou se Kerry se reunirá com os negociadores colombianos, apesar de garantir que o governo americano quer aproveitar a visita para "contribuir para a conclusão satisfatória das conversas de paz".

Além de Kerry, Obama estará acompanhado da secretária de Comércio, Penny Pritzker; do de Agricultura, Tom Vilsack; da chefe da Administração de Pequenos Negócios, María Contreras-Sweet, e de uma delegação de 23 membros do Congresso americano.

Após a reunião com Raúl, Obama assistirá a um evento "centrado na geração de oportunidades e na iniciativa empresarial do povo cubano, que será assistido por representantes de negócios americanos, cubano-americanos e empreendedores cubanos", explicou Rhodes.

O governo de Obama quer facilitar o crescimento do nascente setor privado em Cuba e, diante da reticência do Congresso dos EUA em levantar o embargo à ilha, o próprio presidente tomou uma série de medidas executivas para flexibilizar as restrições ao comércio com Cuba.

À noite, Obama será o convidado de um jantar de Estado no Palácio da Revolução, e na terça-feira chegará o momento mais esperado de sua viagem: o discurso ao povo cubano, no Grande Teatro Alicia Alonso, que a Casa Branca espera que seja retransmitido pela cadeia de rádio e a televisão da ilha.

Para mil pessoas, a maioria convidada pelo governo americano, Obama "falará da complicada história entre os dois países" e deixará claro que os Estados Unidos não promoverão uma "mudança de regime" em Cuba, antecipou Rhodes.

"Isso deve ser decidido pelo povo cubano. Os Estados Unidos não vão ditar mudanças em Cuba, mas confiamos muito na capacidade do povo cubano de conseguir coisas extraordinárias", acrescentou.

Após o discurso, o presidente americano se reunirá com membros da sociedade civil cubana, entre eles alguns dissidentes destacados.

A Casa Branca não identificou quem são esses dissidentes, mas vários deles confirmaram à Efe em Havana que receberam convites para esse encontro.

Entre eles estão a líder do movimento feminino Damas de Branco, Berta Soler; o ex-preso político José Daniel Ferrer, que lidera a União Patriótica de Cuba (Unpacu); a jornalista independente Miriam Leiva e o dissidente veterano Elizardo Sánchez.

Obama encerrará sua viagem à Cuba do camarote de uma partida de beisebol entre Los Rays de Tampa, na Flórida, e o time nacional cubano, com a esperança de destacar que a normalização não se limita ao plano político.

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