Exilados cobram que Obama pressione Cuba por "mudança real"

Ana Mengotti.

Miami (EUA), 18 mar (EFE).- Figuras decorativas na normalização das relações entre Cuba e Estados Unidos, as organizações do exílio concordam que o presidente americano, Barack Obama, deve se esforçar mais em favor de uma "mudança real" na ilha.

No próximo domingo, Obama se tornará o primeiro governante americano a ir a Havana em 88 anos. A visita, que para a maioria dos grupos de exilados não deveria acontecer, legitima uma "ditadura" de quase seis décadas e que no meio do reatamento com os Estados Unidos aumentou a repressão, conforme uma carta aberta de coalizões opositoras de dentro e fora de Cuba.

Até mesmo entre os grupos que não são contrários à visita existe a opinião de que a normalização de relações não representa melhoras no campo dos direitos humanos em Cuba. Alguns deles concordam também em que os direitos humanos ficaram marginalizados na agenda de visita de Obama, embora nesta quinta-feira tenha sido confirmado em Havana que vários dissidentes internos foram convidados para uma reunião com o presidente americano.

"Infelizmente, é mais do que óbvio que o principal propósito desta visita é solidificar futuros negócios com o regime", destacaram a Assembleia da Resistência Cubana, nos Estados Unidos, e o Fórum pelos Direitos e Liberdades, em Cuba, em sua carta aberta.

De acordo com Orlando Gutiérrez, do Diretório Democrático Cubano, a visita é inoportuna, em um contexto de escalada repressiva.

"As concessões unilaterais das democracias às ditaduras nunca deram bons resultados", afirma.

Já Ramón Saúl Sánchez, do Movimento Democracia, grupo que em princípio defende a mudança na política cubana empreendida por Obama, acredita, no entanto, que o presidente americano "teve mais interesse em vincular-se ao governo cubano do que à sociedade civil". Para ele, até agora, Obama se mostrou "complacente" com Castro.

"Peço que faça o possível para servir de intermediário para que a voz do povo seja ouvida", defende.

Para o ex-preso político Armando Valladares, que passou 22 de seus 78 anos na prisão, para transformar a "tirania" em democracia não basta apenas permitir a entrada de turistas e empresários americanos.

"Essa visita é um grandíssimo respaldo e apoio à tirania", diz ele, explicando que há 30 anos os cubanos recebem milhares de turistas de todo o mundo, mas nada mudou.

A dissidente interna Martha Beatriz Roque, por sua vez, que foi condenada a 20 anos de prisão em 2003 e atualmente está em Miami com uma permissão especial, está com grandes expectativas com relação à visita do presidente americano, pois isso pode ajudar a melhorar a sensação de "incerteza" sobre o destino de Cuba.

Pergunta pela Efe sobre as críticas dos exilados pelo fato de a agenda da visita não estar focada na liberdade e na democracia em Cuba, a opositora, economista de profissão, ressalta que a ideia de Obama é tentar conseguir uma abertura política através das mudanças econômicas.

Junto a representantes do exílio, ela, que ao chegar a Miami no início deste mês manifestou interesse em conversar com Obama sobre a necessidade de "endireitar" o processo de normalização com Cuba, se reuniu na semana passada com Ben Rhodes, assessor-adjunto da Segurança Nacional da Casa Branca.

Na última quarta-feira, Obama se encontrou com personalidades cubano-americanas. Um deles foi o ex-secretário de Comércio americano Carlos Gutiérrez, de origem cubana, a quem o Conselho pela Liberdade de Cuba pediu que devolva uma medalha que recebida há alguns anos. O Conselho não informou os motivos do pedido, mas em recente entrevista Gutiérrez, membro do Partido Republicano, elogiou a nova política de aproximação.

"Obama não lançou um salva-vidas ao governo dos Castro, mas ao próprio povo cubano", de acordo com Gutiérrez, que acredita que a mudança de visão rumo a Cuba pode não gerar transformações políticas no curto prazo, mas "dá oportunidades de desenvolvimento econômico pessoal a milhares de cubanos".

Na segunda-feira, quando Obama já estiver em Cuba, uma pequena frota embarcações tentará se aproximar do litoral de Havana através da região da Florida Keys para lançar fogos de artifício durante a noite. Apesar de a Guarda Costeira americana ter negado a permissão, os organizadores da chamada "Frota da Liberdade" disseram à Efe que não voltarão atrás na tentativa.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos