Ministro britânico renuncia por discordar de cortes a ajudas sociais

Londres, 18 mar (EFE).- O ministro de Trabalho e Previdência do Reino Unido, Iain Duncan Smith, renunciou ao cargo nesta sexta-feira por considerar "indefensíveis" os cortes às ajudas sociais que estão no orçamento apresentado nesta semana pelo governo do primeiro-ministro David Cameron.

O político conservador, que ocupava a pasta desde maio de 2010, fez pública uma carta de renúncia na qual sustenta que as diminuições nos auxílios a pessoas com deficiência "são indefensáveis dentro de um orçamento que beneficia os contribuintes que ganham mais".

"Sou incapaz de observar de forma passiva como certas medidas começam para cumprir metas fiscais autoimpostas que, na minha opinião, são cada vez mais notadas como algo com finalidade política mais do que como um benefício para a economia nacional", afirmou Duncan Smith.

O orçamento que foi apresentado na quarta-feira pelo ministro da Economia, George Osborne, prevê uma controverso corte de 4,4 bilhões de libras até 2020 no fundo conhecido como Pagamentos para a Independência Pessoal (PIP, em inglês).

A medida afetará 640 mil pessoas de 16 a 64 anos no Reino Unido, que verão restringidos os critérios pelos quais o Estado lhes oferece uma ajuda devido a uma doença ou deficiência.

"Foi dada ênfase demais na economia", ressaltou Duncan Smith, um dos membros rebeldes do Gabinete de Cameron que se mostrou a favor que o Reino Unido permaneça na União Europeia (UE), contra a postura oficial do governo em relação ao referendo sobre a questão, previsto para 23 de junho.

Em sua carta de renúncia, o político escocês, de 61 anos, considera que alguns "cortes difíceis foram necessários nos últimos anos" devido à "herança da administração trabalhista".

"Acredito que alguns desses cortes eram mais simples de justificar que outros, mas, sendo consciente da situação econômica e determinado em ser um jogador de equipe, os aceitei como necessários", afirmou.

Alguns deputados conservadores que tinham se mostrado críticos com o último orçamento do governo deram as boas-vindas à renúncia do ministro.

O parlamentar "tory" Peter Bone afirmou que Duncan Smith "sempre foi um homem de convicções".

Já no Partido Trabalhista, alguns políticos apontaram que a campanha contra a permanência na União Europeia (UE) iniciada por uma parte do Partido Conservador está por trás da renúncia do ministro.

"A renúncia tem tudo a ver com a União Europeia e nada com as ajudas sociais", alegou o deputado socialista Chuka Umunna.

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