Voos diretos e serviço postal marcam degelo da relação entre Cuba e EUA

Soledad Álvarez.

Havana, 18 mar (EFE).- A retomada de voos regulares entre Estados Unidos e Cuba e a restauração do serviço postal direto são os principais acordos já fechados nesta nova era das relações diplomáticas entre os dois países, aos que se somam convênios empresariais em telecomunicações e as ações do governo de Barack Obama para amenizar o bloqueio à ilha.

Após o restabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura de suas respectivas embaixadas, Cuba e Estados Unidos iniciaram uma nova etapa da normalização plena de suas relações, com o embargo e as diferenças sobre direitos humanos e democracia entre os principais empecilhos deste caminho.

Apesar das diferenças, os antigos inimigos conseguiram em pouco tempo consolidar um fluido diálogo intergovernamental através de uma comissão bilateral, que começou a funcionar em setembro e que já deu seus primeiros frutos.

O mais importante até agora foi o acordo rubricado em Havana em 16 de fevereiro para a restauração, depois de mais de cinco décadas, dos voos comerciais diretos, que começarão no segundo semestre.

Foram permitidos até 20 voos diários dos Estados Unidos a Havana e mais 10 a outros nove aeroportos internacionais cubanos, entre eles os de Santiago de Cuba, Manzanillo e Camagüey, o que representa um potencial de mais de cem conexões aéreas diárias.

Os Estados Unidos abriram imediatamente o processo de licitação para as companhias aéreas norte-americanas interessadas, que apresentaram muito mais solicitações do que as rotas previstas.

Mas desse processo ficou de fora, por enquanto, a companhia estatal cubana de aviação, que devido a litígios nos EUA poderia ter seus bens embargados se suas aeronaves entrarem no território do país.

Esse acordo ajudará a aumentar exponencialmente o fluxo de turistas americanos à ilha, principalmente agora que Washington aprovou uma nova flexibilização nas condições de viagem para seus cidadãos à Cuba, apesar de ter mantido a proibição de viagens turísticas ao país caribenho.

Outro destacado avanço foi o acordo para restaurar o serviço postal direto, inaugurado formalmente nesta semana, poucos dias antes da visita de Obama à Cuba.

Os voos postais de Miami a Havana, que aproximarão os cubanos de seus parentes e amigos que vivem do outro lado do estreito da Flórida, terão frequência de três vezes por semana (segunda, quarta e sexta-feira) e transportarão três toneladas de carga a cada viagem, a partir de 25 de março.

Os envios dos correios entre os dois países foram suspensos em 1968, após a explosão de uma bomba que saiu de Nova York em um carregamento postal.

Durante décadas a comunicação postal entre Cuba e Estados Unidos foi feita através de um terceiro país, e as negociações para regularizar o serviço direto começaram em 2009, mas foram interrompidas e retomadas somente em 2013.

Além destes acordos, com o reatamento das relações foram assinados os primeiros convênios empresariais de telecomunicações, entre o monopólio cubano ETECSA e a companhia IDT Domestic Telecom, para a interconexão direta para chamadas de voz, assinado em fevereiro de 2015, e com as operadoras Sprint e Verizon para roaming de tráfego de voz.

Também viajarão a Cuba durante a visita de Obama representantes de empresas como a AT&T, que espera conseguir seu próprio acordo de roaming com a ETECSA.

Também é carregada de simbolismo a autorização do Departamento do Tesouro dos EUA à empresa Cleber para se instalar no país caribenho: será a primeira companhia americana a operar na ilha em mais de 50 anos.

Esta empresa de tratores, com sede no Alabama, planeja construir uma fábrica de montagem na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM), o megaprojeto do governo cubano para atrair investimento estrangeiro. A Cleber pretende vender os primeiros veículos agrícolas fabricados em Cuba no primeiro trimestre de 2017.

A todas estas iniciativas se somam os efeitos tangíveis ds medidas aprovadas pelo governo de Obama nos últimos 15 meses para aliviar o embargo econômico e comercial, sobretudo as que relaxam as condições para viajar à ilha e as destinadas a aumentar as possibilidades comerciais.

A poucos dias da visita de Obama, o governo americano sancionou novas regulações, entre as quais se destaca a permissão do uso do dólar por cidadãos cubanos e instituições financeiras da ilha em transações comerciais.

Este novo pacote de medidas também aumentou o relaxamento das restrições de viagens de americanos, que agora poderão visitar Cuba individualmente, desde que enquadrados nas categorias permitidas, o que até agora só era permitido em grupos e sob o patrocínio de organizações autorizadas.

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