Cameron se diz 'perplexo' por renúncia de ministro do Trabalho

Em Londres (Inglaterra)

  • Yves Herman/Reuters

    Primeiro ministro britânico, Cameron falou sobre renúncia de ministro em carta

    Primeiro ministro britânico, Cameron falou sobre renúncia de ministro em carta

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, mostrou-se "perplexo" pela renúncia do titular da pasta de Trabalho e Previdência, Iain Duncan Smith, e anunciou, neste sábado (19), que voltará a estudar os cortes às ajudas sociais que provocaram sua saída.

"Desenhamos juntos essa ajuda para dar apoio aos mais vulneráveis e dotar de maior independência os incapacitados. Todos acordamos que a grande quantidade de recursos que estão sendo dedicados aos incapacitados deve ser administrada de forma correta para se concentrar em que mais necessita", disse Cameron em carta de resposta à renúncia, ontem à noite, do ministro.

O chefe do governo acusou Smith, um dos cinco ministros eurocéticos que se rebelaram contra a postura oficial de Downing Street e defendem a saída da UE (União Europeia), de não ter levantado a voz contra essa decisão "coletiva" nas reuniões do Gabinete. "Me sinto perplexo e decepcionado pelo fato de que tenha decidido renunciar", afirmou o líder do Partido Conservador.

Corte

O governo anunciou, na quarta-feira (16), um corte de 5,6 bilhões de libras (cerca de 4,4 bilhões de euros) durante os próximos quatro anos no fundo para os chamados Pagamentos para a Independência Pessoal.

Perante a polêmica que levantou essa medida --que afetará 640 mil britânicos de entre 16 e 64 anos--, o primeiro-ministro disse que seu governo voltará a estudar os planos para diminuir as ajudas. "Hoje, acordamos não aplicar as medidas em sua forma atual e voltarmos a trabalhar juntos para corrigi-las nos próximos meses", afirmou Cameron.

No escrito no qual comunicou sua saída do governo, Smith disse que reduzir as ajudas aos incapacitados é "indefensível" no marco de um orçamento que "beneficia os contribuintes que mais ganham".

"Sou incapaz de observar de forma passiva como certas medidas se iniciam para cumprir objetivos fiscais autoimpostos que, na minha opinião, são percebidos mais como algo com finalidade política que como um benefício para a economia nacional", afirmou.

O Partido Trabalhista, primeiro da oposição no Reino Unido, sugeriu que a renúncia do político escocês tem mais que ver com a campanha anti-europeia perto do referendo de 23 de junho, na qual Smith é uma das caras visíveis, que com as políticas sociais do governo.

Cameron anuncia referendo sobre UE para 23 de junho

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