Congo vota nas eleições presidenciais com comunicações telefônicas bloqueadas

Johanesburgo, 20 mar (EFE).- Os cidadãos da República do Congo votam neste domingo nas eleições presidenciais com as comunicações telefônicas bloqueadas por ordem do presidente, Denis Sassou Nguesso, que segundo os observadores, prepara uma farsa para se perpetuar no poder.

"Por razões de interesse e segurança nacional, por favor bloqueie todas as comunicações, incluídos os sms durante os dias 20 e 21 de março", é possível ler em carta enviada pelo Ministério do Interior às companhias de telefonia, informam meios de comunicação congoleses.

Tanto a oposição como a comunidade internacional qualificaram de fraude o processo eleitoral. A União Europeia (UE) nem sequer enviou observadores para este primeiro turno do pleito.

O pleito transcorre por enquanto em calma e vigiado por uma forte presença policial. No momento de depositar seu voto em um colégio da capital, Brazzaville, Nguesso se mostrou confiante em "varrer" seus rivais no primeiro turno.

Durante a campanha eleitoral, a oposição criticou duramente a antecipação para março das eleições, previstas inicialmente para julho.

Nguesso justificou a antecipação na necessidade de acelerar o início das novas instituições previstas pela polêmica reforma constitucional de outubro.

Esse mesmo referendo serviu para que Nguesso eliminasse a limitação a dois mandatos presidenciais recolhida até então pela Constituição, o que lhe permite concorrer à reeleição para um terceiro mandato, proibido até então.

Nas semanas prévias às eleições, partidários de Nguesso perpetraram atos de violência contra alguns de seus adversários.

Oito candidatos concorrem nesta corrida à presidência com Ngesso, que alcançou o poder em 1979 apoiado pelos militares e ocupou o cargo até 1992, quando perdeu nas primeiras eleições multipartidárias do Congo.

O líder congolês voltou ao poder em 1997, após uma curta mas sangrenta guerra civil na qual foi apoiado pelas tropas angolanas. Desde então, Nguesso se manteve no poder, após ganhar o pleito em 2002 e ser reeleito em 2009.

Entre os candidtos destacam-se Pascal Tsaty-Mabiala, do principal partido da oposição, a União Pan-Africana pela Social-Democracia (UPADS), a escritora Gilda Rosemonde Moutsara Gambou e o general e ex-conselheiro de segurança de Nguesso Jean Marie Michel Mokoko.

Mokoko foi chamado ontem a presta depoimento perante a polícia, no que foi visto pela oposição como uma nova amostra de intimidação aos rivais do presidente.

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