Jornal oficial confirma que jornalista chinês desaparecido está sob custódia

Pequim, 20 mar (EFE).- O conhecido jornalista chinês Jia Jia, desaparecido há uma semana quando iria tomar um avião com destino a Hong Kong, está sob custódia da polícia chinesa, confirmou neste domingo o jornal oficial "Global Times".

Jia Jia desapareceu na terça-feira, e seus parentes e amigos temiam que estivesse em mãos das autoridades por uma carta que comentou com um companheiro e que pedia a renúncia do presidente chinês, Xi Jinping.

O jornal, que cita o advogado de Jia, diz que o jornalista foi detido na terça-feira, 15 de março, no aeroporto internacional de Pequim, sem dar mais detalhes.

Quando foi revelado o desaparecimento de Jia, seu círculo mais próximo suspeitou que tivesse algo a ver com seu interesse por uma carta que, assinada de forma anônima por "membros leais ao Partido Comunista", pede a renúncia de Xi Jinping.

A carta foi postada no portal "Wujie News", ligado ao governo, em 4 de março, na véspera do início da sessão anual do plenário do Legislativo chinês, apesar de ter sido retirada pouco depois.

Jia conheceu a existência desta carta através de comentários de amigos sobre esta no Wechat (o Whatsapp chinês) e entrou em contato com o diretor-executivo do portal, Ouyang Hongliang, com quem trabalhou no passado, segundo uma mensagem à qual a Agência Efe teve acesso, divulgada pelo blogueiro e amigo de Jia, Wang Wusi, em um aplicativo de mensagens por celular.

Pouco depois, as autoridades encarregadas de censurar o conteúdo na internet interrogaram Ouyang, e aparentemente este comentou que a primeira notícia que tinha recebido da carta tinha sido pela boca do jornalista, apontou o blogueiro.

Jia vive atualmente em Hong Kong e é uma figura muito conhecida dos meios de comunicação. Trabalhou como editor e colunista para vários veículos, e há pouco dá aulas em uma universidade do sul da China.

A carta contra Xi começa admitindo certas melhoras graças à campanha anticorrupção do presidente, mas em seguida diz que, devido à concentração de poderes de Xi -a maior de um líder chinês desde Mao Tsé-tung-, "estamos experimentando problemas sem precedentes".

Politicamente, denuncia que Xi "debilitou o poder de todos os órgãos estatais", entre eles o do primeiro-ministro, Li Keqiang; no plano diplomático, afirma que seu abandono da fórmula de Deng Xiaoping de "ocultar a força" falhou, e usa como exemplo a crise norte-coreana.

No plano econômico, cita a crise das bolsas e o excesso de capacidades da indústria como sinal de fracasso, e no ideológico e cultural aponta que sua "ênfase em que o Partido seja o sobrenome dos veículos de imprensa" impactou a população.

"Em consequência, camarada Xi Jinping, sentimos que não possui as qualidades para liderar o Partido e a nação no futuro, e achamos que já não é adequado para o posto de secretário-geral", fundação.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos