Após pedido do FBI, audiência sobre disputa judicial com a Apple é cancelada

Los Angeles (EUA.), 21 mar (EFE).- A audiência prevista para ocorrer nesta terça-feira sobre a disputa judicial entre o FBI e a Apple foi cancelada depois de um pedido do governo dos Estados Unidos, que quer testar um possível método de acesso a um iPhone usado por um dos autores do atentado terrorista de San Bernardino.

Em um documento apresentado nesta segunda-feira em um tribunal da Califórnia, as autoridades americanas disseram que acreditam ter encontrado um método para ter acesso ao conteúdo do celular sem precisar da colaboração da Apple. Por isso, pediram o cancelamento da audiência para testar se o procedimento irá funcionar.

Inicialmente, estava prevista a realização de uma audiência no tribunal federal de Riverside, na Califórnia. O FBI exige que a Apple colabore na obtenção de informações do iPhone de Syed Farook, um dos dois autores dos atentados de dezembro do ano passado em San Bernardino, que provocou a morte de 14 pessoas.

A porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA, Melanie Newman, afirmou à Agência Efe que o juiz responsável pelo caso aceitou o pedido de adiamento. Na solicitação, o FBI disse que, no domingo, um "terceiro" apresentou às autoridades federais "um possível método para desbloquear o iPhone de Farook".

"São requeridas provas para determinar se é um método viável que não comprometerá os arquivos do iPhone de Farook", acrescentou o documento, explicando que não seria necessária a ajuda da Apple neste caso, que levou a empresa a enfrentar o governo na Justiça.

Para ter o tempo necessário para fazer os testes, o FBI pediu o cancelamento da audiência da amanhã e se comprometeu à apresentar ao tribunal um relatório no próximo dia 5 de abril.

Por outro lado, Newman afirmou, em comunicado, que, apesar da necessidade de verificação do possível método de desbloqueio, o governo americano está "prudentemente otimista". "Essa é a razão pela qual pedimos tempo para explorar essa opção. Se essa solução funcionar, poderemos inspecionar o telefone e continuar com a investigação sobre o atentado", acrescentou a nota.

Já o executivo-chefe da Apple, Tim Cook, afirmou hoje durante a apresentação de novos produtos da empresa que não cederá na batalha legal que mantém com o FBI.

"Precisamos decidir quanto poder o governo deveria ter sobre nossos dados e nossa privacidade", disse Cook, ao reafirmar que a Apple tem a responsabilidade de proteger seus usuários.

Cook disse, além disso, que o iPhone é um "dispositivo muito pessoal", visto por muitos usuários como uma "extensão" de si mesmos.

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