Hillary critica Trump por "neutralidade" no conflito palestino-israelense

Washington, 21 mar (EFE).- A pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton criticou nesta segunda-feira o republicano Donald Trump pela posição "neutra" em relação ao conflito palestino-israelense e prometeu, em meio ao maior lobby judeu do país, que os laços com Israel serão tratados como prioridade caso seja eleita.

"Não podemos ser neutros quando os mísseis caem sobre bairros residenciais, quando os civis são esfaqueados na rua, quando os ataques suicidas são feitos contra inocentes. Algumas coisas não são negociáveis", destacou Hillary, favorita para conseguir a indicação democrata para as eleições presidenciais de novembro nos EUA.

"Precisamos de mãos firmes, e não de um presidente que diz que é neutro na segunda-feira, que é a favor de Israel na terça-feira e quem sabe na quarta-feira", acrescentou a ex-secretária de Estado na conferência anual do Comitê de Relações Públicas Israel-EUA (Aipac), principal "lobby" pró-Israel em território americano.

Com caráter conservador, tudo o que envolve a conferência do Aipac tem sempre a ver com cálculos políticos, mas essa vertente é mais evidente ainda neste ano devido às eleições presidenciais de novembro.

Hillary prometeu em discurso que uma das primeiras decisões que tomará como presidente será convidar à Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem o presidente dos EUA, Barack Obama, manteve uma fria relação, principalmente pelo pacto nuclear com o Irã.

Embora defenda o acordo entre Irã e os países do Grupo 5+1 (EUA, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha), a ex-secretária de Estado americana considerou que as "provocações" de Teerã, como o recente teste com mísseis balísticos, são "inaceitáveis e deveriam de ser respondidos firme e rapidamente, incluindo mais sanções".

"Nunca vamos permitir que os adversários de Israel pensem que podem danificar a relação conosco", comentou Hillary Clinton.

Com o acordo nuclear de fundo, a conferência do Aipac busca "vender" entre a elite política americana o valor fundamental da aliança entre Estados Unidos e Israel, apesar dos altos e baixos da relação bilateral.

Os presentes escutarão hoje os três pré-candidatos republicanos à presidência: o senador pelo Texas Ted Cruz; o governador de Ohio, John Kasich, e o magnata Donald Trump.

O milionário nova-iorquino incomodou parte da comunidade judaica ao dizer várias vezes que "embora não haja ninguém mais pró-Israel" que ele, é a favor de manter uma posição "neutra" no Oriente Médio e de encontrar um acordo negociado com os palestinos.

Em resposta a estas declarações, um grupo de rabinos prometeu boicotar o discurso de Trump, saindo da sala durante a entrada do magnata, permanecendo em silêncio ou inclusive lendo em voz alta alguns fragmentos da Torá, livro sagrado do judaísmo.

O senador e pré-candidato democrata Bernie Sanders, de origem judaica, não participará da conferência porque sua campanha programou atos eleitorais no oeste dos Estados Unidos.

"Obviamente, há questões que afetam Israel e Oriente Médio e que são de suma importância para mim, para o nosso país e para o mundo", reconheceu, Sanders.

Com 5,3 milhões de pessoas, a comunidade judaica americana é a maior após as seis milhões que vivem em Israel.

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