Justiça russa condena piloto ucraniana por morte de jornalistas em Lugansk

Em Moscou

  • AP

A piloto ucraniana Nadezhda Savchenko foi declarada nesta segunda-feira (21) culpada pelo assassinato de dois jornalistas russos no leste da Ucrânia por um tribunal da Rússia.

"Savchenko cometeu o assassinato de comum acordo com um grupo de pessoas, motivada pelo ódio contra a população da região de Lugansk, e em geral para com todos os russoshablantes", afirmou o presidente do tribunal que julgou a piloto, Leonid Stepanenko, na sentença.

O tribunal considerou provado que em junho de 2014, a piloto proporcionou às forças ucranianas as coordenadas de um posto de controle das milícias pró-russas em Lugansk, onde estavam os dois jornalistas que foram atingidos por morteiros.

"Ela fez parte de um grupo criminoso criado para disparar fogo de artilharia contra civis, incluídos aqueles que participavam dos enfrentamentos armados, com o objetivo de assassiná-los", afirmou Stepanenko, citado pelas agências locais.

O tribunal, situado na cidade russa de Donetsk, na fronteira com a Ucrânia, também considerou Savchenko culpada de entrar ilegalmente na Rússia, onde foi detida.

A piloto, de 34 anos, alegou que quando os jornalistas foram mortos ela já havia sido sequestrada pelas milícias pró-russas e que depois foi levada à Rússia à força.

Embora a promotoria tenha pedido 23 anos de prisão, a piloto poderia ser condenada até a 25 anos, a pena máxima que pode ser imposta a uma mulher na Rússia.

O advogado de Savchenko, Mark Feiguin, anunciou que ela tem a intenção de reiniciar a greve de fome sem água dentro de dez dias, quando a sentença entrar em vigor".

A piloto não recorrerá da decisão judicial, e considera que então "deverá ser enviada para casa", acrescentou o advogado.

Savchenko, que permaneceu seis dias em greve de fome sem água até 10 de março, assistiu a leitura da sentença.

"O estado de saúde de Savchenko é satisfatório. Ela poderá participar da audiência", disse a porta-voz oficial do Serviço Federal de Instituições Penitenciárias russo, Kristina Belousova.

O governo da Ucrânia, apoiado por vários países ocidentais, exigiu a imediata libertação da piloto, que nas eleições parlamentares ucranianas de outubro de 2014 foi eleita deputada da Rada Suprema (parlamento) da Ucrânia.

O Kremlin insistiu que não pode interferir em um assunto que, até que seja ditada a sentença, é de competência exclusiva da Justiça.

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