Trump garante apoio a Israel, mas é acusado de "neutralidade" por rivais

Lucía Leal.

Washington, 21 mar (EFE).- O empresário Donald Trump garantiu nesta segunda-feira seu apoio incondicional a Israel e endureceu sua postura contra os palestinos, após ter sido acusado pela ex-secretária de Estado e principal pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e pelos seus dois rivais na corrida republicana de ser "neutro" sobre o conflito.

Trump expôs sua política para o país aliado durante a conferência anual do principal grupo de lobistas pró-Israel nos EUA, o Comitê Americano-Israelense de Relações Públicas (Aipac, na sigla em inglês). Hillary e os outros dois pré-candidatos republicanos, Ted Cruz e John Kasich, também discursaram no evento.

Os três rivais de Trump prometeram que não serão "neutros" no conflito palestino-israelense se chegarem à Casa Branca, uma crítica ao empresário, que, em fevereiro, disse em várias entrevistas que deveria adotar uma postura menos agressiva para conseguir estabelecer uma negociação eficaz no Oriente Médio.

Porém, diante dos lobistas do Aipac, Trump abandonou a postura mais conciliadora ao afirmar que não há "nenhuma equivalência moral" entre israelenses e palestinos.

"Quando eu for presidente, os dias em que Israel foi tratado como um cidadão de segunda classe se encerrarão", prometeu o empresário nova-iorquino, que lidera corrida para ser o candidato do Partido Republicano nas eleições presidenciais de novembro.

Em um discurso mais elaborado que o habitual, Trump disse que vetará qualquer tentativa da ONU - órgão que considerou como "frágil e incompetente" - "de impor sua vontade" em um eventual processo de paz entre Israel e Palestina, por meio de uma resolução que estabeleça quais serão os termos das negociações.

O empresário disse que Israel foi muito "generoso" nas sucessivas tentativas de diálogo e recebeu como resposta dos palestinos uma constante "incitação à violência". Trump, inclusive, afirmou que há uma "cultura de ódio que está sendo fomentada há anos" nas escolas e mesquitas palestinas.

"Os palestinos devem chegar à mesa (de negociação) sabendo que o vínculo entre EUA e Israel é irrompível. Devem chegar decididos e capazes de deter o terror que é cometido diariamente contra Israel, e decididos a aceitar que Israel é um Estado judeu", completou.

Trump também prometeu que mudará a embaixada americana, atualmente em Tel Aviv, para Jerusalém, a "capital eterna de Israel". Muitos republicanos defendem a alteração, mas o governo americano resistiu até agora por causa da reivindicação palestina sobre o leste da cidade.

Além disso, o empresário afirmou que sua "prioridade número um" será desmantelar o "desastroso acordo" nuclear entre o Grupo 5+1 (EUA, China, Rússia, Reino Unido, França, mais Alemanha) e o Irã.

Fora do estádio de Washington onde 18 mil escutavam Trump, centenas de pessoas protestaram contra o magnata e sua retórica xenófoba contra imigrantes e muçulmanos.

Mas o discurso de Trump despertou aplausos entre os presentes à conferência da Aipac, talvez surpresos pela nova postura do magnata sobre o conflito entre Israel e Palestina.

Horas antes, Hillary ganhava a atenção do Aipac ao criticar a suposta imparcialidade de Trump sobre o assunto. A ex-secretária de Estado afirmou que os EUA não podem ser "neutros quando os foguetes caem sobre bairros residenciais, quando os civis são esfaqueados na rua, quando os ataques suicidas têm inocentes como alvo".

"Precisamos de mãos firmes. Não de um presidente que diz ser neutro na segunda-feira, que está a favor de Israel na terça-feira e quem sabe o que na quarta-feira", afirmou a ex-primeira dama.

Apesar de defender o pacto nuclear com o Irã, Hillary prometeu que uma das primeiras decisões que tomará como presidente será convidar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à Casa Branca. O líder israelense mantém uma fria e conturbada relação com Barack Obama.

Já Ted Cruz, senador pelo Texas e no segundo lugar na corrida republicana, também criticou Trump. No entanto, prometeu as mesmas medidas que o rival: mudar a embaixada dos EUA no país para Jerusalém e romper o pacto atômico com o Irã.

"Quando você está rodeado de inimigos, a paz só é possível através da força", disse Cruz.

Kasich fez críticas à "cultura da morte que a Autoridade Nacional Palestina e seus antecessores promovem há 50 anos" e afirmou que, caso seja o novo presidente americano, não fará mais "acordos ilusórios" com inimigos dos EUA, como o Irã.

O único pré-candidato à presidência dos EUA que não discursou na conferência do Aipac foi Bernie Sanders, senador por Vermont e de origem judaica, que estava fazendo campanha em Utah visando às eleições primárias democratas que ocorrem no estado amanhã.

No entanto, Sanders fez um discurso no qual garantiu que, se chegar à Casa Branca, será amigo "tanto de Israel como dos palestinos". Além disso, pediu ao governo israelense que "acabe com a ocupação do território palestino" para conseguir a paz na região. EFE

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(foto)(vídeo)

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