Não há dinastias em Cuba, diz filho de Fidel Castro

Miami, 22 mar (EFE).- Alejandro Castro Soto del Valle, filho de Fidel Castro, afirmou em uma entrevista à emissora "Univision" que em Cuba não há "dinastias", e que quando seu tio Raúl Castro concluir seu mandato, em 2018, o poder não passará a alguém da família.

"O poder não vai passar à família, mas para pessoas que estão preparadas para isso", disse Alex Castro na entrevista realizada em Havana pelo canal hispânico dos EUA.

Nascido em Havana em 1963, Alex Castro é fotógrafo, e se tornou o fotógrafo pessoal de seu pai, após ter feito uma carreira técnica na URSS. Na entrevista, ele disse não ter aspirações políticas.

Alex afirmou que o líder da revolução está "muito bem de saúde" e dedicado a fazer coisas que durante muito tempo não podia, como "apresentar seus conhecimentos, ajudar as pessoas, estudar".

Se Fidel não aparece na imprensa ou em público, disse ele, é porque é uma "pessoa aposentada".

A entrevista foi feita no mesmo fim de semana da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, à Cuba, sobre a qual Alex Castro falou com seu pai, que se mostrou favorável a ela.

No entanto, ele disse não saber se Obama e Fidel Castro se reunirão nesta viagem, a primeira de um presidente dos Estados Unidos a Cuba em quase 90 anos.

Alex Castro afirmou que, embora Cuba e Estados Unidos tenham sido "inimigos" por muitos anos, os cubanos continuaram a ser amigos do povo americano, que ele considera que foi "vítima do bloqueio tanto quanto o povo cubano".

Embora afirme não participar das decisões do poder e que há muitos temas que não sabe, Alex Castro disse que a posição de Cuba foi "clara" sobre as mudanças que podem surgir da normalização de relações com os EUA.

"Não aprovamos a economia de mercado, nem as coisas do neoliberalismo", ressaltou.

Perguntado se Cuba está preparada para receber uma onda de turistas americanos, Alex afirmou que não, que falta a infraestrutura necessária, mas ressaltou que "estão trabalhando nisso".

O sistema cubano, com suas virtudes e defeitos, "embora desagrade muitas pessoas, nos caiu muito bem, porque há igualdade para todo o mundo, as pessoas têm teto e não se morre de fome como em outros lugares", disse.

"Não queremos ver aqui o que se vê em outros países", ressaltou, insistindo que nas cidades de Cuba não há violência nem armas nas ruas.

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