Pobreza cresceu na América Latina e afetou 175 milhões em 2015, segundo Cepal

Santiago, 22 mar (EFE).- A pobreza aumentou na América Latina e em 2015 afetou 175 milhões de pessoas, 29,2% dos habitantes da região, segundo o relatório Panorama Social da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apresentado nesta terça-feira em Santiago.

A Cepal calcula que a taxa de latino-americanos que vivem na pobreza passou de 28,2% (168 milhões de pessoas) em 2014 para 29,2% em 2015, números que incluem 75 milhões de pessoas em situação de miséria, 5 milhões a mais que um ano antes.

De acordo com o documento, a taxa de pobreza caiu na maioria dos países entre 2010 e 2014. No Brasil, a queda foi de 7,9%, menor apenas que as de Uruguai (-14,9%), Peru (-9,8%) e Chile (-9,1%). Em Honduras, México e Venezuela, a pobreza aumentou em um ritmo anual de 2% a 5%.

Os níveis de pobreza e indigência diminuíram de maneira sustentada na região desde a década de 90, embora nos últimos cinco anos tenham se mantido ou até aumentado, como prevê a Cepal.

Diante deste panorama, a secretária executiva da organização, Alicia Bárcena, afirmou que para que os números de 2015 não marquem um ponto de inflexão na luta contra a pobreza, são necessárias boas políticas públicas para gerar empregos de qualidade e proteger a despesa social.

"Os mercados não vão assumir a proteção social ou a luta contra a pobreza, portanto são as políticas públicas que têm que abrir caminho", disse Bárcena ao apresentar o relatório.

"É preciso promover políticas associadas a direitos, como é o caso da educação, da saúde e da seguridade social, e elas não deveriam depender do ciclo econômico", acrescentou.

O número de pessoas em situação de pobreza cresceu em cerca de dois milhões em 2014 em comparação com 2013, chegando a 168 milhões de pessoas, das quais 70 milhões estavam em situação de miséria.

O Panorama Social da América Latina apresentado hoje analisa também a transição demográfica que a região vive e a evolução da distribuição da renda.

Segundo o estudo, em 2023 a região deixará de ser uma "sociedade jovem" para se tornar uma "sociedade adulta jovem", o que significa que a maioria da população terá entre 20 e 39 anos.

Em 2045 serão maioria as pessoas de 40 a 59 anos, e em 2052 a América Latina se transformará em uma "sociedade envelhecida", na qual muitos terão mais de 60 anos de idade.

A Cepal prevê que na maioria dos países da região o chamado bônus demográfico - período em que a população em idade de trabalhar é maior que a população dependente - seguirá vigente durante os próximos 15 anos, o que abre oportunidades de investimento em áreas como educação e saúde.

Quanto à distribuição de renda, o relatório afirma que entre 2002 e 2014 a grande maioria dos países alcançou melhorias segundo o chamado "coeficiente de Gini" (no qual 0 corresponde a igualdade plena e 1 a máxima desigualdade).

O coeficiente passou de 0,497 em 2013 para 0,491 em 2014, enquanto em 2010 era de 0,507. Apesar desta queda, em 2014 a renda per capita dos 10% mais ricos foi 14 vezes maior que a dos 40% mais pobres.

As desigualdades, afirmou a Cepal, se fazem mais patentes ao atravessar outras variáveis, como sexo, raça, etnia e anos de escolaridade. A renda dos homens não indígenas nem afrodescendentes pode ser quatro vezes superior à das mulheres indígenas e duas vezes maior que a das mulheres afrodescendentes.

Segundo o relatório, 80% dos vencimentos totais das famílias latino-americanas provêm do trabalho, por isso o emprego de qualidade com direitos e proteção social é "a chave-mestra para a igualdade".

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