Comissão Europeia pede que países da UE atuem juntos em combate a terror

Bruxelas, 23 mar (EFE).- O comissário de Interior da União Europeia, Dimitris Avramopoulos, pediu nesta quarta-feira aos países-membros da UE que ajam imediata e efetivamente para melhorar a cooperação e a troca de informações em matéria de segurança e na luta contra o terrorismo, mas desaconselhou reagir com pânico.

"Se não é agora o momento de aumentar nossa cooperação não sei quando realmente será o momento", disse Avramopoulos após a reunião do colegiado de comissários e o minuto de silêncio guardado na sede da Comissão Europeia pelo atentado ontem em Bruxelas.

"Estamos com duas grandes crises: a segurança e a imigração. Podem se misturar no tempo, mas não devemos nos confundir, os que chegam às nossas fronteiras fogem do mesmo terror que bateu em pleno coração da Europa", acrescentou.

"É o momento de levar a sério a matéria de segurança", continuou Avramopoulos, que disse que propôs "reagir imediatamente e organizar um conselho de ministros europeus de Interior extraordinário o mais rápido possível", talvez nos próximos dois dias.

"Os eventos em Bruxelas demonstram mais uma vez a absoluta necessidade de termos mais coordenação e troca de informação de inteligência", recalcou.

Ele ressaltou que os supostos autores dos atentados de Paris e de Bruxelas "eram conhecidos" da polícia.

O comissário lembrou que a UE lançou o centro europeu de luta contra o terrorismo na Europol, mas como parte de uma resposta europeia coerente e coordenada os países devem utilizar melhor as ferramentas que têm e adotar o que foi proposto, como a iniciativa que tornou mais difícil adquirir armas na UE e os passos para revisar a lei de terrorismo.

Ele lamentou que ainda não tenha sido votada no Parlamento Europeu a implementação do acordo alcançado ano passado para a criação de um registro europeu de dados de passageiros aéreos, e pediu aos países que não a atrasem mais.

Avramapoulos também defendeu a melhora na troca de dados do sistema Schengen, da base de dados de Interpol sobre documentos de viagem roubados ou perdidos e a troca de informações legais.

Ele afirmou que "Schengen não é o problema", apesar de para ter uma área livre de fronteiras internas segura é preciso controlar melhor as fronteiras externas.

O comissário também pediu que "não se perca de vista a radicalização, tanto na Europa como fora dela".

Perguntado por possíveis melhoras na segurança em locais públicos, como aeroportos, pediu para os países não agirem com pânico, e lembrou que qualquer medida para proteger melhor os cidadãos deve ser de "maneira proporcional".

A vice-presidente da CE Kristalina Georgieva, que revelou que três trabalhadores da CE ficaram feridos nos atentados, explicou que as medidas de segurança reforçadas serão mantidas, e que um terço dos funcionários da Comissão trabalhará de casa.

Um dos edifícios oficiais da Comissão, onde está a direção-geral de Agricultura, perto da estação de metrô de Maelbeek, permanece fechado enquanto são feitas análises para averiguar se a explosão afetou sua estrutura.

Georgieva garantiu que a CE dedicará todos os recursos possíveis à luta contra o terrorismo, mas lembrou que a UE vive duas crises e que também parte do orçamento já foi comprometido para programas de geração de crescimento e emprego.

A vice-presidente lembrou que o plano de investimentos promovido pelo presidente da CE, Jean-Claude Juncker, já gerou 76 milhões de euros de investimento, e disse que isto é importante porque enquanto a economia da UE "for forte será possível enfrentar qualquer crise". EFE

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