Dissidentes cubanos consideram positiva reunião com Obama

Havana, 22 mar (EFE).- Vários dissidentes se reuniram nesta terça-feira em Havana com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e avaliaram o encontro como "positivo" e "franco", onde um deles entregou ao chefe de Estado uma lista com os nomes dos 89 presos políticos contabilizados pela associação que dirige.

Em declarações à Agência Efe, Elizardo Sánchez, porta-voz da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), disse que Obama foi "muito claro" e reiterou aos participantes da reunião "seu compromisso com a causa dos direitos humanos e com as liberdades democráticas".

Sánchez explicou que, durante o diálogo com o líder americano, lhe entregou uma cópia da lista com os nomes de 89 presos políticos elaborada por seu grupo, o único que realiza um acompanhamento documentado sobre esses casos em Cuba.

Para o veterano opositor, o saldo da visita de Obama à ilha foi "favorável à causa da democracia bilateral", mas lamentou que longe de propiciar um "ambiente de tranquilidade" o governo suscitou "uma onda de repressão política" que, de acordo com seus registros, se reflete em entre 450 e 500 detenções em toda a ilha desde o sábado até hoje.

Por sua vez, o ex-preso político do "Grupo de Los 75", José Daniel Ferrer, um dos 13 opositores convidados à reunião, qualificou de "muito positivo" o encontro porque "foi uma amostra de solidariedade com nossa luta pela reconstrução da nação".

"Conversamos sobre o processo iniciado com o governo cubano para normalizar as relações bilaterais, também sobre sua visita e, além disso, tivemos a oportunidade de lhe fazer sugestões e demos opiniões a respeito de questões que consideramos que devem continuar sendo feitas, e também sobre o que não se deve fazer neste caso", relatou Ferrer, líder do grupo "União Patriótica de Cuba" (Unpacu).

Miriam Leiva, outra dissidente presente à reunião, a considerou "muito aberta" porque ouviu as 13 pessoas participantes, que "puderam se expressar sobre a situação atual da repressão e dos direitos humanos em Cuba" e também fez seus comentários.

"Houve alguns que colocaram posições contrárias à política do presidente Obama, mas, no final, ele expôs seus conceitos sobre o que está fazendo e o que pode fazer para beneficiar o povo cubano", acrescentou a jornalista independente.

Para Miriam, o fato de que Obama reservou um espaço em sua agenda para esta reunião realizada na embaixada dos EUA, representou "reconhecimento e apoio" à oposição cubana.

Antonio González-Rodiles, que lidera o projeto independente Estado de Sats, disse que a reunião foi "muito franca" e propiciou um debate no qual "cada um expôs seu ponto de vista e o presidente Obama deu atenção aos diferentes posicionamentos".

Rodiles, um crítico do novo enfoque dos EUA em relação a Cuba, explicou que comentou com Obama as dúvidas que tem acerca do processo de normalização de relações, assim como o "nível descomunal de violência e repressão" nos últimos tempos.

O ativista também condenou o fato de não ouvir por parte do governo americano "uma condenação clara das violações desmedidas contra a dissidência".

Além dos citados, estiveram no encontro dissidentes e ativistas como a líder do movimento Damas de Branco, Berta Soler; Guillermo Fariñas, Manuel Cuesta Morúa, do grupo Arco Progressista, e o intelectual crítico Dagoberto Valdés.

Em breves declarações aos jornalistas sobre o encontro, Obama revelou que um dos objetivos da normalização iniciada com Cuba é poder "ouvir diretamente" o povo cubano e garantir que "as pessoas tenham voz" na nova etapa iniciada entre os dois países há 15 meses. EFE

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