Mogherini volta a insistir que Rússia liberte piloto ucraniana

Bruxelas, 23 mar (EFE).- A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, insistiu novamente nesta quarta-feira para que a Rússia liberte imediatamente a piloto ucraniana Nadezhda Savchenko, condenada a 22 anos de prisão em um polêmico julgamento pelo assassinato de dois jornalistas russos.

"Apesar de muitos pedidos, a piloto ucraniana Nadezhda Savchenko foi condenada na terça-feira", afirmou a alta representante da UE para a Política Externa e Segurança Comum em comunicado.

A União Europeia continuará a se esforçar para fazer com que as autoridades russas "libertem imediata e incondicionalmente" Savchenko por motivos humanitários, disse a política italiana.

A diplomata também lembrou que Moscou precisa cumprir o pacote de medidas para a implementação dos acordos de Minsk, e com ele o compromisso de libertar todos os "reféns e todas as pessoas detidas em relação ao conflito no leste da Ucrânia".

"É também o caso para todos os demais cidadãos ucranianos ilegalmente detidos na Rússia, inclusive Oleh Sentsov e Oleksandr Kolchenko, que devem ter garantido o retorno seguro à Ucrânia", disse a chefe da diplomacia europeia.

A piloto ucraniana Nadezhda Savchenko proibiu hoje por escrito seu advogado de recorrer à condenação de 22 anos de prisão e de pedir o indulto.

"Eu o proíbo de apresentar um recurso, um pedido de indulto, uma admissão de culpabilidade de minha parte ou em meu nome, e iniciar qualquer medida sem meu consentimento", afirmou Savchenko, segundo a imprensa local.

Em greve de fome desde 4 de março, a piloto advertiu a seu advogado, Mark Feiguin, que a violação desse acordo será interpretada como "uma traição" e contribuirá para a renúncia automática de seus serviços.

Após saber a decisão judicial ontem, Savchenko adiantou que deixará de beber quando a sentença entrar em vigor, no dia 6 de abril, propósito que manterá até que as autoridades russas a permitam retornar à Ucrânia.

A procuradoria ucraniana informou nesta quarta-feira que há duas opções: uma política, e que significaria a troca de Savchenko por prisioneiros de guerra russos, e outra jurídica, na qual a piloto cumpriria sua pena em território ucraniano.

"Dificilmente Nadia (Savchenko) reconhecerá a decisão de tal tribunal (russo). Por isso, temos mais esperanças na via política como solução para este caso e para o retorno de nossa cidadã", admitiu o promotor Vladislav Kutsenko.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ofereceu ontem a Moscou a troca de Savchenko pelos dois soldados russos aprisionados por Kiev "por participarem da agressão militar contra a Ucrânia": Aleksandr Alexandrov e Yevgueni Yerofeev.

Fontes oficiais russas sugeriram que a Rússia estaria disposta a realizar essa troca, embora para isso a Ucrânia deva primeiramente reconhecer a decisão judicial e depois remeter uma solicitação formal de entrega.

Tanto o Kremlin como o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, insistiram hoje que Moscou atuará em estrita consonância com a legislação vigente e que uma decisão política sobre Savchenko é cabe exclusivamente ao presidente, Vladimir Putin.

O secretário de Estado americano, John Kerry, pedirá a Putin a imediata libertação de Savchenko durante a reunião que farão nesta quinta-feira, no Kremlin, já que Washington considera a sentença como uma violação dos Acordos de Paz de Minsk.

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