Mujica sai em defesa de Dilma e Lula e alerta para tentativa de golpe

Montevidéu, 23 mar (EFE).- O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta quarta-feira que só falta "pendurarem em um farol" a presidente Dilma Rousseff, em relação ao trâmite iniciado pelo Congresso com a intenção de cassar seu mandato.

"Há uma formidável campanha contra o governo de Dilma, que abriu as mais profundas investigações anticorrupção da história do Brasil (...) e, no entanto, só falta a esta mulher que a pendurem de um farol", declarou Mujica em uma locução divulgada pela emissora de rádio uruguaia "M24".

O ex-presidente uruguaio acrescentou que para derrubar Dilma "há um impulso impetuoso de alguns legisladores, que têm três, quatro ou cinco causas pendentes com a Justiça por corrupção".

A Câmara dos Deputados já iniciou o trâmite para votar o impeachment de Dilma, acusada de cometer supostas irregularidades nos balanços de seu governo entre 2014 e 2015, dos quais teria ocultado milionárias dívidas acumuladas com os bancos públicos.

Além disso, Mujica comentou a divulgação, ordenada pelo juiz Sérgio Moro, dos áudios de grampos efetuados no telefone do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os quais há conversas com a própria presidente.

"Ficamos surpreendidos perante a presença de integrantes de alguns poderes judiciais com uma notória parcialidade que mais que julgar parecem atores da área política (...) que dão informação prévia à imprensa de procedimentos sigilosos, uma coisa à qual não estávamos acostumados", criticou Mujica sem oferecer nomes.

O ex-presidente e hoje senador uruguaio também defendeu Lula, a quem definiu como um "lutador formidável" que impulsionou reformas e contribuiu com um conjunto de políticas para que mais de 40 milhões de brasileiros pobres hoje tenham outro provir".

"Eu estou convencido de que Lula não está com as mãos metidas na lama, seguramente há uma maçã podre em sua força política, como as há nos partidos de oposição", comentou.

Na opinião de Mujica, a crise política que assola o Brasil "põe em xeque a própria democracia representativa" e, por isso, alertou de "atitudes fascistoides e militaristas convocando um golpe militar".

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