Obama viaja para a Argentina com agenda oficial bastante atribulada

Buenos Aires, 22 mar (EFE).- Reuniões oficiais, um jantar de gala e uma homenagem às vítimas da última ditadura na Argentina fazem parte da volumosa agenda que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá no país sul-americano, aonde chegará nesta quarta-feira.

Obama deve aterrissar no aeroporto internacional de Ezeiza, nos arredores de Buenos Aires, a bordo do avião oficial Air Force One, pouco depois da meia-noite local (mesmo horário de Brasília), vindo de Cuba.

Devido à iminente chegada do chefe de Estado americano, o governo argentino elevou nesta terça-feira o nível de alerta das forças de segurança por causa dos atentados terroristas ocorridos em Bruxelas.

Obama começará sua atividade oficial na manhã de quarta-feira, com uma visita à Casa Rosada, onde será recebido pelo presidente argentino Mauricio Macri.

Os dois governantes manterão uma reunião na sede do Executivo argentino e oferecerão depois uma entrevista coletiva conjunta.

Durante a tarde, Obama assistirá a uma cerimônia na Catedral de Buenos Aires e, posteriormente, participará de uma atividade na Usina del Arte, um espaço cultural da prefeitura da capital argentina.

De acordo com o embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Noah Mamet, Obama realizará no espaço cultural um encontro aberto "com perguntas abertas e sem filtro", formuladas por jovens empreendedores e estudantes.

A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, também terá sua própria agenda, marcada por uma atividade dedicada à iniciativa "Let Girls Learn" ("Deixem as meninas aprender", tradução livre), destinada a promover a educação e a liderança entre as jovens.

O primeiro dia da visita da família presidencial americana terminará com um jantar de gala oferecido por Macri no Centro Cultural Kirchner (CCK), em Buenos Aires.

A visita de Obama coincide com o 40º aniversário do golpe de Estado na Argentina que deu origem à última ditadura no país em 24 de março de 1976, o que gerou críticas de organizações de direitos humanos, devido à relação de Washington com a repressão militar na América do Sul.

A rejeição inicial das organizações, no entanto, foi em parte atenuada pelo anúncio de que os Estados Unidos desclassificarão seus arquivos sobre a ditadura. Além disso, o governo argentino manterá aberta a Praça de Maio, que fica em frente à Casa Rosada, para que as associações realizem sua tradicional manifestação de 24 de março.

Apesar disso, a presença de Obama na Argentina, a primeira visita oficial de um presidente americano desde a viagem de Bill Clinton em 1997, tem ampla aceitação na sociedade argentina.

Segundo uma pesquisa realizada pelo instituto Poliarquía Consultores, 44% dos entrevistados considera que a presença do presidente dos Estados Unidos será benéfica para a Argentina.

Apesar de 53% dos entrevistados acreditarem que Obama não deverá fazer alguma referência ao golpe de Estado, espera-se que, no início de seu segundo dia na Argentina, o presidente americano se dirija ao Parque da Memória, um prédio situado em frente ao Rio da Prata, onde oferecerá uma homenagem às vítimas da ditadura.

Depois, Obama desfrutará com sua família de um dia de descanso na cidade turística de Bariloche, um destino que é muito popular entre os brasileiros, localizada na província de Río Negro.

Finalmente, Obama voltará a Ezeiza na noite de quinta-feira, para partir rumo aos Estados Unidos.

A viagem "é um gesto muito importante" para o governo argentino, porque "mostra o interesse e a prioridade" que Obama coloca "na gestão do presidente Macri", conforme comentou nesta segunda-feira a chanceler do país sul-americano, Susana Malcorra.

A funcionária argentina também acrescentou que a visita de Obama estará "manchada pelo impacto" dos atentados em Bruxelas, "o que trará o foco para a questão da preocupação pelo extremismo violento".

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