Após atentados, Bélgica confirma aos EUA que voltará a bombardear o EI

Juan Palop.

Bruxelas, 25 mar (EFE).- A Bélgica confirmou nesta sexta-feira que voltará a bombardear o Estado Islâmico (EI) no Iraque e também na Síria, decisão anunciada três dias após o duplo atentado de Bruxelas, reivindicado pelo grupo jihadista, no qual morreram 31 pessoas.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, falou sobre os planos da Bélgica após se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry, que denunciou a crescente fraqueza do EI e ressaltou o compromisso de seu país com a Europa para acabar com estas "crenças niilistas e covardes".

Michel confirmou que a Bélgica cumprirá com a missão contra o EI no Iraque à qual se tinha comprometido, que implica voltar a enviar seis caças-bombardeiros F-16 a partir do dia 1º de julho, substituindo o operacional holandês.

Além disso, lembrou que o parlamento belga debate a ampliação das operações militares do país contra o jihadismo na Síria como parte da coalizão internacional liderada pelos EUA que bombardeia o EI.

Steven Vandeput, o ministro da Defesa belga, afirmou em entrevista à emissora "RTL" que há uma tentativa de "retomar" as operações no Iraque e que ele pessoalmente é a favor de também atacar na Síria, "onde o EI estiver", mas reconheceu que o debate está aberto no governo.

Seis caças belgas participaram durante nove meses, entre outubro de 2014 e junho de 2015, dos bombardeios contra alvos terrestres do EI, mas apenas no Iraque, e depois os aviões retornaram por motivos orçamentários.

Kerry transmitiu a solidariedade americana após a "tragédia" e disse que a Bélgica pode contar com "toda a assistência necessária" de Washington para "investigar e levar à justiça os responsáveis destes atos desprezíveis".

Está previsto que uma equipe de agentes do FBI (polícia federal americana) chegue a Bruxelas nesta sexta-feira para colaborar com os colegas belgas na apuração dos atentados, nos quais morreram pelo menos dois cidadãos americanos.

O secretário de Estado disse acreditar que acabar com o EI será uma tarefa a longo prazo que demanda grande esforço e cooperação intergovernamental, mas se mostrou convencido que a coalizão internacional contra o jihadismo prevalecerá no final.

"Teremos sucesso destruindo o EI e recuperando uma sensação de tranquilidade e paz nas sociedades que perseguem exatamente isso em sua vida diária", afirmou.

Na opinião de Kerry, os últimos ataques terroristas em Bruxelas, Paris, Ancara, Túnis e San Bernardino só evidenciam que o EI está perdendo força no Iraque e Síria, os dois países pelos quais mais se estendeu em meio à instabilidade da região.

"A verdadeira razão pela qual o EI está recorrendo a ações fora do Oriente Médio é porque sua fantasia de um califado está caindo perante seus olhos", indicou Kerry, que apontou que "nenhum governo do mundo apoia" os jihadistas.

O secretário de Estado americano explicou que o EI está vendo que "seu território está se reduzindo dia a dia, que seus líderes estão sendo dizimados, que suas fontes de financiamento estão desaparecendo e que seus soldados estão fugindo" graças à ação da coalizão internacional,

Kerry aproveitou sua visita à capital belga para se reunir com o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, com o rei belga, Felipe, e com o ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders.

Além disso, visitou o aeroporto internacional de Bruxelas, em Zaventem, um dos alvos do duplo atentado, onde viu de perto as consequências das explosões, os trabalhos da polícia e as tarefas para reabrir as instalações.

Kerry deixou uma coroa de flores no aeroporto, gesto que não foi acompanhado por Michel, que preferiu seguir as operações antiterroristas em curso em Bruxelas.

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