Cuba e EUA ainda não normalizaram vínculos financeiros, diz chanceler da ilha

Havana, 30 mar (EFE).- Cuba e Estados Unidos ainda não têm vínculos financeiros "normais", denunciou nesta quarta-feira o chanceler da ilha, Bruno Rodríguez, que também advertiu que o país caribenho ainda não pode usar o dólar em suas transações comerciais no exterior, ao contrário do que foi anunciado pelo governo americano.

Em declarações publicadas hoje no site oficial "Cubadebate", Rodríguez afirmou que as medidas executivas aprovadas recentemente pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para relaxar o embargo sobre a ilha, ficaram em um "mero anúncio".

O último pacote de medidas dos EUA, anunciado dias antes da visita de Obama à ilha, eliminava, entre outras coisas, a proibição de Cuba de usar dólar em suas transações internacionais, um dos principais impedimentos para empresas estrangeiras que queriam fazer negócios com a ilha.

"Posso afirmar que neste momento não há transações financeiras normais", afirmou o ministro de Relações Exteriores cubano, que ressaltou que os bancos cubanos continuam sem poder abrir contas nos EUA.

Apesar do atual processo de normalização entre os dois países, que retomaram relações em julho após mais de meio século de inimizade, "o bloqueio continua sendo uma realidade asfixiante", confirmou Rodríguez.

"Cuba não bloqueia os Estados Unidos, nem aplica nenhuma medida discriminatória contra as companhias norte-americanas, nem contra os turistas americanos", indicou.

O chefe da diplomacia cubana reiterou que não será possível falar de vínculos normais enquanto os Estados Unidos ocuparem o território da Base Naval de Guantánamo e financiarem programas para tentar "alterar a ordem constitucional imperante" no país.

Além disso, insistiu que os EUA mantêm "intactos seus objetivos estratégicos de dominar Cuba econômica e politicamente".

Segundo Rodríguez, a autorização às empresas de telecomunicações americanas para operar na ilha e o apoio financeiro ao setor não estatal cubano pela administração de Obama só "buscam construir uma oposição" ao governo do presidente cubano, Raúl Castro.

"Os discursos podem ser agradáveis, inclusive sinceros, mas uma frase amável, um sorriso ou um gesto de simpatia não são capazes de fazer esquecer uma história tão longa", disse o chanceler, em referência as palavras de Obama ao povo cubano em 22 de março.

Em um dos momentos mais emocionantes de sua visita à ilha caribenha - aonde chegou no dia 20, Obama pediu aos cubanos que esquecessem os velhos rancores e olhassem em direção ao futuro, ressaltando que o "destino de Cuba será decidido pelos cubanos".

Rodríguez destacou que seu país está disposto a dialogar e cooperar com os Estados Unidos, mas sem renunciar em "nem um milímetro aos princípios da Revolução, nem à independência".

Neste sentido, qualificou de "extraordinariamente oportuna a reflexão do ex-presidente cubano Fidel Castro", publicada nos meios oficiais da ilha na segunda-feira, em que o líder, que deixou o poder em 2006, criticou Obama, reafirmando que os cubanos não necessitam de presentes do "império".

Os EUA anunciaram em 15 de março um pacote de novas medidas de relaxamento do embargo, que incluem a autorização do uso do dólar por cubanos e instituições financeiras da ilha para algumas transações, além de permitir aos americanos visitar Cuba em viagens individuais.

Como resposta, a nação caribenha decidiu eliminar a sobretaxação que aplica ao dólar, embora a decisão só se torne efetiva quando o governo cubano comprovar que pode realizar operações bancárias nessa moeda.

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