Acordo com UE e crise no Brasil são desafios do Mercosul, diz economista

Assunção, 1 abr (EFE).- O acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE) e a crise econômica e política no Brasil são os principais desafios que o Mercosul enfrenta atualmente, disse nesta sexta-feira à Agência Efe Carlos Carvallo, representante do Banco Central do Paraguai perante o Grupo do Mercado Comum do bloco regional.

Carvallo fez essas declarações após participar de um simpósio realizado na Chancelaria paraguaia em comemoração dos 25 anos da assinatura do tratado de Assunção, que deu origem ao bloco regional.

O economista afirmou que o acordo com a União Europeia é "de suma importância para o Mercosul" e considerou que as condições para assiná-lo são hoje "mais favoráveis do que no passado".

"O Mercosul é um líder mundial em produção de alimentos ricos em proteínas. Isto pode ser um risco para alguns países da União Europeia produtores de alimentos, mas existe um alto grau de complementaridade entre ambos blocos", expôs Carvallo.

Cavallo enfatizou, além disso, a necessidade de que a negociação do tratado comercial se desenvolva "de bloco a bloco", apesar desta modalidade dificultar o processo porque "os interesses dos diferentes países dentro de cada bloco não são totalmente iguais".

Outro dos grandes desafios que o Mercosul enfrentará a curto prazo é, segundo o especialista, o da crise econômica no Brasil, que se transformou em uma crise política e que prevê deixar sequelas severas nas economias regionais.

O especialista do "BCP" explicou que alguns países do Mercosul são "muito estáveis" em nível macroeconômico, o que lhes permite ter "certa margem para passar por situações complexas", como a crise no Brasil.

Apesar disso, a recessão brasileira deixará de ser sentida em todo o Mercosul pela "interdependência, a proximidade geográfica e as assimetrias de tamanho" entre os países do bloco.

Além disso, no futuro próximo está prevista a adesão completa da Bolívia como membro do Mercosul, um país ao qual Carvallo definiu como "parceiro natural de um processo de integração profundo" no bloco.

"Acredito que ao Mercosul faz bem a adesão de novos parceiros, porque isso equilibra os interesses entre países, dentro do processo de integração. A Bolívia é um país em crescimento apesar da crise regional, e um produtor estratégico de energia, por isso que sua entrada será muito importante", destacou.

No simpósio por ocasião dos 25 anos do Mercosul estiveram também presentes especialistas internacionais como o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Turismo do Brasil José Botafogo (1998-1999), e o especialista em relações econômicas internacionais Félix Peña, procedente da Argentina.

Em representação do Paraguai participou o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração da Chancelaria paraguaia, Rigoberto Gauto.

No fechamento do simpósio, Gauto fez um paralelismo entre a União Europeia, cuja origem foi motivada pelo final da Segunda Guerra Mundial, e o do Mercosul, "onde já não há guerras, mas segue havendo pobreza, que deve ser o incentivo para alcançar todos juntos um compromisso pela integração".

Em 26 de março de 1991 foi assinado o Tratado de Assunção, que supôs o ponto de partida do processo de integração regional entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e que cristalizou na criação do Mercosul.

A Venezuela se incorporou a este grupo como membro de pleno direito em 2012, enquanto a Bolívia se encontra em processo de adesão.

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