EUA parabenizam América Latina por se livrar do urânio altamente enriquecido

Lucía Leal.

Washington, 1 abr (EFE).- O fato de América Latina e Caribe terem se tornado a segunda região do mundo livre de urânio altamente enriquecido foi considerado "histórico" por Bonnie Jenkins, dirigente do Departamento de Estado dos EUA, que parabenizou a Argentina por dar os últimos passos rumo a esse marco, capaz de abrir "muitas possibilidades para a região".

"É um passo muito importante. Espero que os países da região percebam isso e continuem, pois tudo é lucro", disse em entrevista à Agência Efe a coordenadora dos programas de redução de ameaças no Departamento de Estado americano.

O anúncio do marco foi feito nesta sexta-feira na Casa Branca em meio à IV Cúpula de Segurança Nuclear realizada em Washington, que conta com a presença de líderes de mais de 50 países.

O último passo rumo a esse objetivo foi dado pela Argentina ao anunciar hoje que se livrou dos 4 quilos de urânio altamente enriquecido que restavam, após um esforço de anos para eliminar esse tipo de material e apostar no urânio pouco enriquecido (LEU) para as usinas nucleares.

Embora o atual presidente da Argentina, Mauricio Macri, tenha chegado ao poder há menos de quatro meses, em dezembro do ano passado, Jenkins acredita que "claramente fez muito" para alcançar o objetivo anunciado hoje pelo país.

"Acredito que há muitas possibilidades (para a América Latina e o Caribe) agora que isto ocorreu", afirmou Jenkins, que informou que apenas o Sudeste Asiático também está livre do urânio altamente enriquecido.

Jenkins, que participou de todo o processo de cúpulas de Segurança Nuclear que começou em 2010 por iniciativa dos Estados Unidos, acredita que esse mecanismo multilateral foi "bem-sucedido" mesmo com a ausência da Rússia, o país com o maior arsenal nuclear do mundo, nesta última reunião.

"É infeliz (que a Rússia não esteja), mas mesmo assim esta cúpula terá sucesso e continuaremos aproveitando todas as oportunidades possíveis para trabalhar com eles", destacou Jenkins.

Pouco após chegar ao poder, em 2009, o presidente americano, Barack Obama, fez um discurso em Praga no qual apresentou uma ambiciosa agenda para avançar em direção a "um mundo livre de armas atômicas".

Agora falta menos de um ano para Obama deixar o poder e alguns especialistas consideram que o presidente só conseguiu uma fração do que se propôs a fazer, dada a falta de consenso para conseguir um tratado global vinculativo sobre o desarmamento nuclear.

Perguntada sobre o assunto, Jenkins defendeu que, "mesmo sem um acordo (global), estão sendo empreendidas muitas ações" no mundo todo para garantir a segurança dos materiais nucleares e avançar em direção à não proliferação.

"Os processos de negociação de tratados podem ser muito longos e não acredito que tenhamos tempo para isso, acho que temos que tomar medidas imediatamente. O que deveríamos fazer é, uma vez que passar esta cúpula, atrair mais países que possam estar interessados no assunto, porque esta é uma preocupação global", argumentou.

No entanto, não há garantias de que o sucessor de Obama na Casa Branca vá continuar o processo de cúpulas nucleares, por isso talvez seja necessário encontrar uma nova plataforma para o diálogo sobre este tema.

O Chile já tomou medidas para interessar outros países no processo, visto que, segundo Jenkins, há alguns anos organizou "uma conferência regional para a América Latina sobre a Cúpula de Segurança Nuclear", que contou com representantes de todo o continente.

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