Manifestantes pedem fim das armas atômicas em "cúpula nuclear paralela"

Irene Benedicto.

Washington, 1 abr (EFE).- Mais de uma centena de manifestantes pediram nesta sexta-feira a eliminação das 15.000 armas atômicas que existem no mundo, por ocasião da 4ª Cúpula de Segurança Nuclear que reúne em Washington os líderes de mais de 50 países.

Uma grande balão em forma de míssil nuclear se alçava no centro da praça McPherson de Washington, ponto escolhido para o protesto antinuclear, a poucas quadras do centro de convenções onde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reunia com outros líderes mundiais.

O objetivo principal dessa cúpula é abordar o risco de que grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI) acessem os materiais nucleares necessários para fabricar armas atômicas.

Com cartazes com mensagens como "15.000 armas nucleares não são igual a segurança nuclear" ou "Eliminemos os mísseis nucleares", ativistas de todo o país atenderam ao chamado da organização Global Zero, um movimento nascido nos EUA que se expandiu na Ásia.

"A cúpula se centra demais nas armas que os civis poderiam possuir e ignora as que têm os exércitos", declarou à Agência Efe o diretor da Global Zero, Derek Johnson.

Nove países possuem armas nucleares - EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte - e 90% desse arsenal se concentra em mãos americanas e russas.

"Precisamos que a cúpula expanda sua conversa, que se comprometa em acordos com o objetivo de zero armas nucleares", argumentou Johnson.

Coincidindo com a Cúpula de Segurança Nuclear, a Global Zero organizou um encontro paralelo com 50 jovens líderes e dezenas de voluntários de EUA e Ásia que participam de um evento de cinco dias.

Procedente do Paquistão, viajou a Washington para a chamada "cúpula nuclear paralela" a responsável da delegação da Ásia, Haneen Khalid, que em três anos recrutou mais de 1.000 voluntários apenas na cidade de Islamabad.

"As armas nucleares são uma questão humanitária", além de política e econômica, comentou a representante do Paquistão, "um lugar aonde as pessoas têm medo de falar e de comprometer-se em ativismos".

"No Paquistão crescemos na violência e no conflito, vemos pessoas morrer por suas ideias... Imagina o que poderiam fazer com armas nucleares", ponderou Khalid, que reconheceu que ser mulher lhe obriga a tomar "ainda mais cuidado".

Entre os manifestantes também estava o candidato a legislador pelo Partido Democrata, Joel Rubin.

Rubin avaliou positivamente as políticas nucleares de Obama que, apesar de não considerar "suficientes", representam um "avanço" em relação aos "interesses que tinha o ex-presidente George W. Bush".

Além disso, o candidato a congressista alertou para o "grande perigo" que representaria uma presidência do polêmico pré-candidato republicano Donald Trump, com "um futuro de insegurança" e de "poder militar acima da diplomacia".

A Global Zero também organizou uma oficina sobre como exercer pressão sobre os legisladores contra as armas nucleares, como já fez para evitar que o Congresso bloqueasse o acordo de não-proliferação dos EUA com o Irã, que Obama apresentou em julho.

A "diplomacia" e "a liderança multilateral" da experiência com o Irã representam "o modelo a seguir para alcançar o objetivo de zero armas nucleares", ressaltou a diretora da campanha antinuclear, Meredith Horowski.

No marco desta "cúpula nuclear paralela", os ativistas contaram com o apoio do ex-secretário de Defesa William Perry e o governador da Califórnia, Jerry Brown, que participaram de uma mesa-redonda em Washington.

Brown advertiu da "loucura" que representa a estratégia dos países que se armam com arsenal nuclear que supostamente não vão utilizar, só para evitar serem atacados, o que se conhece como Destruição Mútua Assegurada (MAD, na sigla em inglês).

Por sua parte, o ex-secretário de Defesa argumentou que, apesar dos "desacordos" na política nuclear, EUA e Rússia devem "sentar-se para falar" e "comprometer-se" com o desarmamento nuclear.

A ausência da Rússia é a mais destacável nesta cúpula, a quarta reunião desde que em 2010 Obama criou esta iniciativa que se repetiu desde então a cada dois anos.

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