Obama inaugura Cúpula de Segurança Nuclear com atenções voltadas para o EI

(Inclui último parágrafo).

Washington, 31 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu nesta quinta-feira as boas-vindas aos líderes de mais de 50 países e inaugurou a Cúpula de Segurança Nuclear, que terá como foco evitar que os materiais necessários para elaborar uma arma atômica caiam nas mãos de grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI).

Com um jantar de boas-vindas na Casa Branca, o chefe de Estado americano abriu a quarta Cúpula de Segurança Nuclear, na qual se espera que os líderes mundiais conversem sobre medidas para evitar que o grupo jihadista EI tenha acesso aos materiais nucleares que vários países possuem para uso civil e militar.

Em reunião anterior ao jantar, Obama afirmou que o presidente francês, François Hollande, conseguiu "mobilizar a comunidade europeia" no combate ao terrorismo, e os dois analisaram formas de melhorar a cooperação bilateral nessa matéria para evitar novos ataques como os de Bruxelas e Paris.

"O presidente Hollande foi um líder na hora de mobilizar a comunidade europeia em torno da necessidade de ser mais eficientes nas trocas transatlânticas de informação, na hora de impedir o recrutamento de combatentes terroristas estrangeiros e na identificação de possíveis ataques", afirmou Obama aos jornalistas depois da reunião.

O governante americano considerou que há uma "grande urgência" para lidar com a praga do terrorismo global após os atentados de 22 de março em Bruxelas, que causaram 32 mortes, e os ataques de novembro em Paris, que deixaram 130 mortos.

O Estado Islâmico, que reivindicou a autoria de ambos os ataques, deve "ser encurralado" no Iraque e na Síria, afirmou Obama.

Mais tarde, durante o jantar inaugural, Obama não fez declarações e se limitou a dar as boas-vindas aos líderes e ministros à Sala Leste, o maior cômodo da Casa Branca e que hoje abrigava uma enorme mesa e três grandes cestas de flores, localizadas no centro.

Nesse encontro, Obama se sentou entre o presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro de Índia, Narendra Modi, com o quem manteve uma entusiasmada conversa no começo do jantar.

A Cúpula de Segurança Nuclear é realizada a cada dois anos desde 2010 por iniciativa de Obama, que prometeu no começo de seu mandato transformar em uma prioridade a não proliferação nuclear e pediu à comunidade internacional que avançasse para tornar o mundo "livre de armas atômicas", durante um discurso em Praga, em 2009.

Obama tem menos de um ano para concluir seu segundo mandato, por isso esta cúpula será a última com seu formato atual e não se sabe se o próximo presidente americano, que chegará à Casa Branca em janeiro de 2017, vai continuar com este processo multilateral.

A Rússia, o país com o maior arsenal nuclear do mundo, decidiu não comparecer à cúpula por considerar que houve "falta de cooperação na hora de elaborar a agenda" do encontro, segundo explicou nesta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Sua ausência dificulta o alcance de grandes acordos sobre segurança nuclear, mas a Casa Branca acredita que a reunião servirá para aumentar a coordenação internacional contra o Estado Islâmico e analisar, em particular, a possibilidade de que esse e outros grupos terroristas consigam uma arma nuclear.

Esse risco será analisado nesta sexta-feira em uma sessão plenária durante o dia principal da cúpula, que conta com a presença de líderes e ministros de 52 países.

Nove nações do mundo concentram mais de 15 mil ogivas nucleares: EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. No entanto, 90% desse arsenal está em mãos americanas e russas.

"Deveríamos negociar (com a Rússia) para reduzir ainda mais nossas reservas", argumentou hoje Obama em artigo de opinião publicado no jornal "The Washington Post".

Obama opinou que desde a primeira cúpula, em 2010, foram feitos "progressos importantes", como a assinatura de um novo tratado Start de desarmamento entre EUA e Rússia para que suas ogivas nucleares cheguem, em 2018, a seu nível mais baixo desde a década de 1950.

No entanto, alguns especialistas consideram que Obama só tinha conseguido uma fração do que havia proposto devido à falta de consenso para alcançar um tratado global vinculativo sobre desarmamento nuclear.

A cúpula conta com a presença de vários líderes mundiais, entre eles o presidente francês, François Hollande; o chinês, Xi Jinping; o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron; o primeiro-ministro de Índia, Narendra Modi; o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan; o presidente da Argentina, Mauricio Macri; e o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

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