Sanders intensifica campanha em Nova York entre negros e latinos

Lara Malvesí.

Nova York, 1 abr (EFE).- O pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos Bernie Sanders intensificou sua campanha em Nova York para tentar tirar da rival Hillary Clinton o voto latino e negro, peças fundamentais em um estado com grande diversidade e que colocará um grande número de delegados em disputa no dia 19 de abril.

O senador por Vermont foi na quinta-feira ao Bronx para divulgar seu programa em prol dos direitos dos imigrantes e dos americanos de baixa renda. Nesta sexta-feira, Sanders organizou um debate no bairro do Harlem para tentar ganhar o voto das mulheres negras.

O ato contou com a presença da atriz Rosario Dawson, da associação Voto Latino, que elogiou o compromisso de Sanders com o reagrupamento familiar para os deportados e suas alegações contra os altos níveis de população carcerária formada por latinos e negros devido a políticas dos anos de Bill Clinton na presidência.

Dawson lembrou o objetivo de Sanders de conseguir saúde e educação gratuita para todos e lamentou que Hillary Clinton "não seja capaz de sonhar tão alto".

"É o que ocorre quando não é preciso responder ao povo, mas às grandes corporações e às empresas farmacêuticas", criticou o pré-candidato.

Uma das mulheres negras que compareceu ao ato, Tina, de 46 anos, disse à Agência Efe se sente "frustrada" a cada vez que uma mulher o motivo de sua escolha não ser Hillary, por ser mulher.

"Barack Obama não conseguiu quebrar o teto de vidro para os negros. Ser negro não é suficiente para acabar com o racismo. Ser mulher não é suficiente para terminar com o machismo. É preciso vontade", afirmou.

O debate "Black women for Sanders" ("Mulheres negras a favor de Sanders", em inglês) ocorreu no Row Table, em pleno Harlem, na rua 115, perto do Central Park.

O local escolhido representa uma Nova York mais diversificada, assim como o parque de St. Mary, em Mott Haven, no Bronx, um dos lugares mais pobres do país e onde na quinta-feira Sanders falou a seus apoiadores do condado, que tem a maior população latina da cidade.

Sanders discursou em um idioma que todos entendem por vivê-lo dia a dia: o da falta de oportunidades, da pobreza, do desemprego, dos aluguéis altos, da necessidade de moradia acessível, dos cuidados médicos satisfatórios, das boas escolas, da universidade gratuita e da imigração.

O pré-candidato democrata lembrou ao público que nasceu no condado do Brooklyn, filho de um emigrante que tinha chegado da Polônia a Nova York aos 17 anos "sem um centavo no bolso", de ter vivido em uma família que não tinha dinheiro e que conheceu na pele o desafio migratório.

Tanto Sanders como Hillary, que foi senadora por Nova York durante oito anos e possui uma casa em Chappaqua, tentam se mostrar mais nova-iorquinos que o outro.

A ex-secretária de Estado também começou a pisar no acelerador em sua campanha no estado de Nova York. Hillary discursou à população negra na quarta-feira no teatro Apollo, no bairro do Harlem, para criticar os rivais republicanos pelos discursos que buscam criar muros contra a diversidade e dividir os americanos, e também para alfinetar Sanders.

Hillary considera que o senador por Vermont está fazendo promessas que são impossíveis de cumprir e passa mais tempo criticando o sistema do que propondo alternativas.

Em seu discurso, a pré-candidata enumerou algumas ideias propostas ao longo da campanha, desta vez focadas nos desafios enfrentados por Nova York.

A ex-primeira-dama lembrou que as eleições primárias realizadas até agora a permitiram chegar a 9 milhões de apoiadores, um milhão a mais que Trump e 2,5 milhões a mais que Sanders.

"Mas esta é uma eleição selvagem, e não vamos dar nada por terminado", insistiu Hillary.

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