Situação em centros de refugiados na Grécia pode fugir do controle, diz Acnur

Genebra, 1 abr (EFE).- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou nesta sexta-feira que a crescente degradação dos centros de amparo aos refugiados nas ilhas da Grécia pode fazer com que a situação fuja do controle das autoridades da União Europeia (UE) se elas não atuarem com prontidão.

"No centro de Moria, em Lesbos, as condições se deterioraram desde que começaram, no último dia 20 de março, a reter as pessoas que esperam a decisão sobre sua deportação. Há agora cerca de 2.300, quando a capacidade é para 2.000. As pessoas dormem a céu aberto e a comida é insuficiente", disse a porta-voz do Acnur, Melissa Fleming.

Em entrevista coletiva, Fleming afirmou que a frustração e a ansiedade entre os refugiados são generalizadas, fora o fato de muitas famílias estarem separadas por causa das novas regras firmadas no acordo entre UE e Turquia.

O pacto determina que todas as pessoas que chegarem de forma irregular ao território da UE devem ser deportadas à Turquia, mas cada caso deve ser analisado de forma particular para determinar se o refugiado tem direito a proteção e pode solicitar asilo, cumprindo dessa forma com a lei internacional sobre o tema.

No entanto, durante esse período, o solicitante de asilo deverá permanecer retido em um centro de amparo.

"Em Samos, no centro de Vathy, as condições de recepção também pioraram. A salubridade do lugar é ruim e a distribuição de comida é caótica", denunciou Fleming.

Todas as informações são coletadas por funcionários da Acnur que estão na Grécia. No entanto, eles não ajudam nos trabalhos de assistência humanitária a menos em caso de extrema gravidade porque o órgão discorda da política europeia de reter contra vontade os solicitantes de asilo.

"É horrível estar lá e não poder ajudar, mas temos que ser coerentes. Não podemos colaborar com uma política que é contrária a nossos princípios", ressaltou a porta-voz da Acnur.

Outras ONGs e entidades como a Médico Sem Fronteiras (MSF) também deixaram de atuar nas ilhas gregas para não dar suporte a um sistema que consideram como injusto e ilegal.

Diante da situação, a Acnur voltou a solicitar à UE que atue de forma urgente para atenuar, pelo menos, as necessidades humanitárias dos solicitantes de asilo.

"Se prometeu muita ajuda desde Bruxelas, mas, por enquanto, são as autoridades gregas que estão respondendo com a capacidade que tem, que não é suficiente. Sem a ajuda urgente e o apoio da UE, a capacidade limitada do serviço de asilo grego para registrar e processar os pedidos criará problemas", destacou Fleming.

Fleming alertou também sobre a situação de 30 centros de amparo dos refugiados na Grécia continental, cujo estado é "péssimo". "O risco de pânico e que haja vítimas nesses lugares é real nas atuais circunstâncias", alertou.

Com relação à Turquia, o Acnur pediu para poder entrar em contato com pessoas que foram deportadas da Grécia para garantir que elas efetivamente se beneficiaram de proteção internacional e para evitar assim o risco de expulsão ilegal.

Perguntada sobre as denúncias feitas pela Anistia Internacional de que as autoridades turcas teriam expulsado milhares de refugiados à Síria, Fleming não quis fazer comentários.

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