Autoridades apreendem 10,5 toneladas maconha em cidade paraguaia

Assunção, 2 abr (EFE).- Agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) confiscaram um total de 10,5 toneladas de maconha em operações simultâneas realizadas em seis imóveis e um acampamento na comunidade rural de Kamba Rembé, no departamento de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país.

No total, foram recolhidas 8,5 toneladas de droga prensada e preparada para a comercialização, e outras duas toneladas de maconha picada, além de elementos para o processamento e um carro. Kamba Rembé é uma região camponesa onde a maioria dos moradores se dedica ao cultivo ilegal de cannabis para sua venda ao Brasil, segundo as investigações.

Durante a operação, um cidadão paraguaio, de 41 anos, foi detido, suspeito de vínculo com o tráfico. As autoridades da Senad calculam que a operação tenha causado um prejuízo de US$ 315 mil ao narcotráfico da região. Junto aos agentes da Senad, participaram homens da Polícia Nacional e da Unidade Sensível de Inteligência da DEA, o departamento antinarcóticos americano.

Kambá Rembé é um assentamento camponês isolado das grandes cidades do departamento, sem estradas asfaltas e com pouca rede elétrica, onde seus habitantes sobrevivem plantando verduras e maconha para trocar por carne ou dinheiro. Em novembro, a mesma região foi alvo de uma operação na qual a Senad confiscou 10 toneladas de maconha escondidas em um precário armazém. Há alguns meses, após uma intervenção das autoridades, os moradores pediram apoio do Estado para deixar de cultivar cannabis.

O problema se remonta a 2009. O governo tentou abordar o problema e propôs que os camponeses deixassem de plantar a erva e de dedicassem ao cultivo de outros produtos com a promessa de estradas pavimentadas, instalações elétricas ampliadas e acesso a água potável.

A ausência de retorno do Estado e o isolamento que persiste levou milhares de famílias de volta ao cultivo da planta ilegal, em 2013. Embora o cultivo de maconha seja ilegal no Paraguai, mais da metade desta empobrecida comunidade de 4 mil habitantes tem plantação de até quatro hectares da erva ao lado de casa.

Um quilo de maconha é trocado por um quilo de carne ou 20 mil guaranis (pouco mais de R$ 12), enquanto sua venda no Brasil custa US$ 150 (R$ 530) o quilo, segundo fontes consultadas. O Paraguai é o principal produtor desta droga em toda América do Sul, de acordo com as autoridades.

Com plantações que ocupam 6 mil hectares, as organizações de narcotráfico da região exportam 20 mil toneladas de maconha por ano, sendo 80% delas ao Brasil e o restante tem como destino Argentina, Uruguai e Chile, onde o quilo custa cerca US$ 1.000 (R$ 3.500).

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