Azerbaijão cessa unilateralmente as ações militares em Nagorno Karabakh

Baku, 3 abr (EFE).- O Azerbaijão anunciou neste domingo a cessação unilateral das ações militares na fronteira com o enclave de Nagorno Karabakh, palco desde sábado dos mais sangrentos combates desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 1994.

"Esta decisão foi tomada após levarmos em consideração tanto as chamadas de organizações internacionais como a política estatal em prol da paz", informou o Ministério da Defesa azerbaijano em comunicado.

Por isso, acrescenta, "as Forças Armadas do Azerbaijão interromperam sua contra-ofensiva e suas ações de resposta contra o inimigo e procederam a fortificar as defesas dos territórios libertados".

A nota militar se referia a vários pontos estratégicos retomados ontem pelas forças azerbaijanas no enclave montanhoso do Cáucaso sul, cuja soberania é disputada por ambos países desde 1988, antes inclusive da queda da URSS.

Contudo, adverte que "se o Exército armênio não renunciar às provocações e continuar atacando áreas povoadas e posições militares, as Forças Armadas do Azerbaijão prosseguirão sua ofensiva com o uso de todo o armamento à disposição"

O Azerbaijão, que acusa a Armênia de iniciar as hostilidades ao atacar seu território, informou que durante a noite passada as tropas azerbaijanas destruíram dez tanques ao repelir uma nova ofensiva inimiga.

Esse foi o motivo, segundo Baku, pelo qual foi frustrada a proposta de cessação do fogo colocada pela Rússia, que recebeu o sinal verde de ambas as partes e que devia ter entrado em vigor às 15h local do sábado.

O presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, que retornou ontem à noite de Washington após participar da cúpula nuclear, garantiu que o Exército de seu país respondeu às "provocações da Armênia".

Em resposta ao anúncio azerbaijano, a autoproclamada república de Nagorno Karabakh afirmou hoje que "neste momento, os combates continuam".

De fato, as forças carabaques informaram nesta manhã que tinham recuperado uma das colinas reconquistadas ontem pelas tropas azerbaijanas, combates nos quais teriam destruído dois tanques e um blindado.

Por sua vez, o presidente armênio, Serzh Sargsyan, propôs ontem à noite assinar um acordo de assistência militar mútua com a república de Nagorno Karabakh.

O presidente russo, Vladimir Putin, o secretário de Estado americano, John Kerry, além da União Europeia, Irã e a ONU, pediram a ambos os lados que respeitem o cessar-fogo, cessem suas hostilidades e retornem à mesa de negociações.

Oficialmente, o Azerbaijão reconheceu 12 baixas em suas fileiras, enquanto a Armênia admitiu só 18, embora outras fontes cifram em centenas os soldados mortos nos intensos combates pelo controle do enclave, habitado majoritariamente por armênios.

O atual conflito explodiu quando a então região autônoma azerbaijana de Nagorno Karabakh, de população majoritariamente armênia, pediu em 1988 sua incorporação na República Soviética da Armênia, o que desembocou em repentinos surtos de violência étnica. EFE

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