Dados de empresa panamenha expõem políticos e personalidades de todo planeta

Washington, 3 abr (EFE).- "The Panama Papers", já considerado o maior caso de divulgação de documentos sigilosos, envolve 140 políticos, entre eles 12 antigos ou atuais chefes de Estados, além de personalidades de vários setores, que teriam sido clientes de uma empresa sediada no Panamá, especializada na criação de offshores.

Os dados foram publicados neste domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, implicando alvos da Operação Lava-Jato, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da Argentina, Mauricio Macri, além do jogador de futebol argentino Lionel Messi, a irmã do rei Don Juan Carlos, da Espanha, Dona Pilar de Borbón, o diretor de cinema espanhol Pedro Almodóvar, entre outros.

Ao todo, os jornalistas que participaram da apuração obtiveram 11,5 milhões de documentos acumulados durante quase quatro décadas peça Mossack Fonseca, que alega atuar na gestão de capitais e patrimônios, com informações. As informações dizem respeito a mais de 214 mil offshores abertas em cerca de 200 países e territórios.

O caso já acumula mais informação do que o Wikileaks, que foi a publicação de documentos diplomáticos dos Estados Unidos.

A investigação, feita em parceria do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", com colaboração de repórteres de mais de uma centena de veículos e imprensa do mundo, aponta que a Mossack Fonseca formaria empresas em paraísos fiscais, para que políticos, celebridades, entre outras figuras públicas, administrassem o patrimônio.

A empresa panamenha, por sua vez, negou qualquer vínculo com crimes, supostamente cometidos pelos clientes, garantindo apenas que criou 240.000 estruturas jurídicas, que nunca foram contestadas pela justiça ou geraram qualquer acusação das autoridades.

Em declarações à Agência Efe, Ramón Fonseca Mora, sócio da Mossack Fonseca, admitiu ter sido detectado "um acesso limitado" ao banco de dados da empresa, o que pode ter sido a fonte do vazamento de documentos.

Criado em 1977, a Mossack Fonseca tem escritórios em todos os continentes, conforme detalha em seu site, e oferece serviços nas serviços nas jurisdições do Reino Unido, Malta, Hong Kong, Chipre, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Anguilla, Ilhas Seychelles, Samoa, nos estados de Nevada e Wyoming, nos Estados Unidos, e Panamá.

Fonseca Mora, ministro conselheiro da presidência panamenha, se licenciou do cargo no dia 11 de março, para se defender das acusações de ligação com o escândalo na Petrobras. A justiça brasileira apontou no início do ano que a Mossack Fonseca teria ajudado a vários investigados na Operação Lava-Jato, a possibilidade de abertura de offshores no país da América Central.

A empresa rejeitou qualquer envolvimento com o caso, enquanto, o procurador da República e integrante da força-tarefa da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, disse que a firma panamenha era "uma grande lavadora de dinheiro".

Considerado um dos homens mais poderosos do mundo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de acordo com os documentos divulgados hoje, administraria, junto com sócios, até US$ 2 bilhões, através de bancos e empresas fantasmas.

Também há informações que apontariam para a existência de offshores vinculadas à família do presidente da China, Xi Jinping, e a do presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e ao falecido pai do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Outros mencionados nos documentos da Mossack Fonseca, são o presidente recém-eleito na Argentina, Mauricio Macri, que "administrou uma empresa não-declarada nas Bahamas", quando era prefeito de Buenos Aires, a irmã do rei Juan Carlos, da Espanha, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson.

Fora do mundo político, há destaque para a menção de nome de personalidades do futebol, como o craque argentino Lionel Messi, do Barcelona, com movimentação financeira iniciada em 2013, um dia depois que que a Procuradoria da Espanha denunciou o jogador por três supostos crimes fiscais.

Além disso, os documentos revelados neste domingo, comprovariam supostos pagamentos de suborno do ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, e outros dirigentes do alto escalão da entidade, em troca da venda de direitos de TV da Taça Libertadores, referente ao período de 2008 a 2018.

Os nomes de Jérome Valcke, ex-secretário-geral da Fifa, e de Michel Platini, presidente suspenso da Uefa, também constam na lista de clientes da Mossack Fonseca.

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ainda há 33 pessoas e empresas investigadas pela justiça dos Estados Unidos, por envolvimento com atividades ilicítas, como, por exemplo, com traficantes mexicanos, ou com organizações terroristas, como o Hezbollah.

Além disso, mais de 500 bancos e subsidiárias, teriam impulsionado a criação de empresas em paraísos fiscais, e estabeleceram mais de 15 mil companhias deste tipo para seus clientes, através da Mossack Fonseca.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos