Governo do Panamá promete cooperar com investigações sobre a Mossack Fonseca

Cidade do Panamá, 3 abr (EFE).- O governo do Panamá afirmou neste domingo que irá cooperar com as investigações que possam surgir a partir dos milhões de documentos vazados da companhia Mossack Fonseca, sediada no país, que revelaram um gigantesco esquema de corrupção e de uso de empresas de fachada por centenas de políticos e personalidades mundiais.

A Mossack Fonseca, que tem como sócio Ramón Fonseca Mora, conselheiro do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, teria ajudado centenas de seus clientes a realizar movimentações financeiras fraudulentas, de acordo com os documentos publicados por vários veículos da imprensa internacional.

O governo do Panamá afirmou que durante os 21 meses de mandato de Varela "demonstrou um absoluto compromisso pela transparência nos serviços legais e financeiros". Por isso, o país foi recentemente excluído da lista cinza de paraísos fiscais do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi).

"O governo do Panamá lidera uma política de zero tolerância sobre qualquer aspecto de seu sistema legal ou financeiro que não seja manejado com altos níveis de transparência", disse em comunicado o Ministério das Relações Exteriores do país.

De acordo com matérias divulgadas por vários veículos da imprensa internacional reunidos no Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), estão entre os clientes da Mossack Fonseca envolvidos em supostos crimes financeiros alguns líderes mundiais, como os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e da Rússia, Vladimir Putin.

De acordo com o ICIJ, o vazamento inclui 11,5 milhões de documentos de quase quatro décadas de operações da empresa panamenha, especializada na gestão de capitais e patrimônios, com informações de cerca de 214 empresas offshore em mais de 200 países.

Trata-se do maior vazamento jornalístico da história, com muito mais informações do que as divulgadas pelo Wikileaks, no caso de documentos da diplomacia dos Estados Unidos e pelo ex-analista da CIA Edward Snowden, sobre o esquema de espionagem mundial da NSA.

Os documentos da Mossack Fonseca revelam a criação de milhares de empresas offshore em paraísos fiscais para que políticos, celebridades e personalidades administrassem seus patrimônios. A empresa negou à Agência Efe qualquer envolvimento com os crimes supostamente cometidos por suas centenas de clientes.

Ramón Fonseca Mora disse que a companhia tem 40 anos de funcionamento e que, após ter criado 240 mil estruturas jurídicas neste período, não enfrentou acusações formais nem foi condenada por nenhum crime porque realiza um trabalho dentro da lei e não se associa com as atividades de seus clientes.

Para o conselheiro licenciado da presidência do Panamá, é possível que, entre as milhares de estruturas jurídicas criadas pelo escritório, algumas estejam envolvidas em crimes. "Se um carro atropela uma pessoa, no entanto, a fabricante do carro não é a culpada", defendeu Mora.

O governo do Panamá lembrou hoje que, para cumprir com os compromissos estabelecidos pelo Gafi, aprovou a lei nº 23 de 2015, que implementou medidas para fortalecer o sistema financeiro contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Também, como parte da operação de supervisão e combate às atividades ilícitas, foram aprovadas outras sete leis que incluem novos crimes, assim como a regulação de setores financeiros não tradicionais como os escritórios de advocacia e negócios imobiliários, indicou o Ministério das Relações Exteriores.

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