Morales questiona que empresa colombiana venda águas do Rio Silala

La Paz, 3 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou neste domingo o Chile de ter privatizado as águas do Rio Silala, motivo de uma controvérsia entre ambas as nações, e questionou que uma empresa colombiana venda esse recurso hídrico às mineradoras que operam no norte do país vizinho.

"Não é possível que uma empresa colombiana esteja vendendo as águas do Silala a umas dez empresas mineradoras. Elas não podem ser privatizadas", manifestou o presidente boliviano em um ato com indígenas na região andina de Potosí (sudoeste).

Ele revelou não entender como um país governado por "um partido socialista" possa ter privatizações e completou dizendo: "tudo no Chile é privatizado".

O jornal "El Deber", da Bolívia, publicou hoje um texto em que afirma que as águas do Silala chegam até a cidade chilena de Calama e são vendidas pelo grupo colombiano Empresas Públicas de Medellín (EPM) a 40 mineradoras que operam no norte do país vizinho. Segundo o jornal, a EPM comprou há um ano a companhia Aguas Antofagasta, que pertencia ao grupo chileno Luksic.

"As águas mananciais do Silala passam ao lado chileno sem que a Bolívia possa aproveitá-las. Cruzam a fronteira por canais construídos e depois se acoplam a encanamentos. O recurso, já no Chile, desemboca no Rio Loa, importante bacia do norte chileno", explicou a nota de "El Deber".

As águas do Silala são alvo de uma nova polêmica entre Bolívia e Chile, que se enfrentam na Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia pela reivindicação boliviana da restituição de seu acesso soberano ao mar, perdido em uma guerra no final do século 19.

A disputa pelo Rio Silala tinha ficado até agora em segundo plano na agenda bilateral frente à reivindicação marítima da Bolívia ao Chile, mas adquiriu protagonismo nos últimos dias, após o anúncio de Morales de um novo processo contra o Chile perante os tribunais por considerar "abusivo" o uso dessas águas. O Chile, por sua vez, assegura que se trata um rio internacional.

Em 2009, ambos os países estiveram a ponto de chegar a um acordo com o qual o Chile devia compensar à Bolívia pela metade do uso das águas, enquanto se estudava uma definição da controvérsia. No entanto, o acordo fracassou e os dois países se culpam mutuamente poos r isso.

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