Mossack Fonseca, a empresa panamenha no olho do furacão

Cidade do Panamá, 3 abr (EFE).- O empresa panamenha Mossack Fonseca está no olho do furacão após o vazamento de milhões de documentos de sua base de dados que revelam a criação de milhares de empresas offshore para que centenas de políticos, celebridades e personagens reconhecidos administrassem seu patrimônio.

De acordo com os documentos divulgados neste domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), os clientes da Mossack Fonseca se apoiaram nessas empresas para desviar seu patrimônio a paraísos fiscais.

Criada em 1977, o Grupo Mossack Fonseca, "com escritórios em todos os continentes", segundo seu site, é especializada na gestão patrimonial, fiscal, de estruturas internacionais e de direito comercial. Possui escritórios em diversos países, incluindo Brasil, Reino Unido, Malta, Hong Kong, Chipre e Bahamas.

Um de seus sócios, Ramón Fonseca Mora, ministro conselheiro da presidência do Panamá e presidente do governista Partido Panameñista, pediu no último dia 11 ao presidente, Juan Carlos Varela, uma licença de um ano para se defender das acusações que o ligam à trama de corrupção da Petrobras por meio da empresa. As autoridades brasileiras disseram no final de janeiro deste ano que suspeitavam que a Mossack Fonseca fornecesse a vários envolvidos no caso da Petrobras a abertura de empresas offshore no Panamá, que serviram para lavar dinheiro desviado da estatal brasileira mediante operações imobiliárias.

A Mossack Fonseca rejeitou qualquer vinculação com o caso brasileiro, sobre o qual a Procuradoria Auxiliar do Panamá disse em 29 de janeiro que abriria uma "investigação de ofício". No mesmo mês, o procurador da República e integrante da força-tarefa da Lava Jato, Carlos Fernando Dos Santos Lima, disse que a empresa panamenha era "uma grande lavadora de dinheiro", e o Ministério Público brasileiro pediu a cooperação de autoridades policiais de outros países.

"Nossa firma está sendo erroneamente envolvida com temas com os quais não temos ingerência alguma", afirmou então a Mossack Fonseca, que tem representação em 40 países, em um "esclarecimento" público.

O grupo do Panamá também expressou disposição em "cooperar com as autoridades que solicitem informações pelos canais legalmente estabelecidos e cumprindo com os requerimentos da legislação respectiva".

De acordo com a Justiça brasileira, um dos eixos da investigação é o Edifício Solaris, construído no Guarujá pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) e no qual a própria Mossack Fonseca tem um triplex.

Em 2009, no meio de uma severa crise financeira, a Bancoop vendeu essa propriedade à construtora OAS, que está envolvida no escândalo da Petrobras, e dirigentes do PT adquiriram apartamentos nesse prédio. Um deles foi o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, já condenado a 15 anos de prisão por participação no caso da Petrobras, que incluíram negócios ilícitos com a OAS.

O caso do Brasil é apenas um dos tantos que envolvem a empresa panamenha. O vazamento de seus arquivos revela que a Mossack Fonseca prestou serviço a clientes de países tão diversos como Rússia, Síria, Nigéria e Argentina.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, o primeiro-ministro islandês, Sigmundur Davío Gunnlaugsson, um assistente do presidente russo Vladimir Putin, primos do presidente sírio Bashar al Assad, entre outros, aparecem em uma lista de 140 políticos de 50 países vinculados a 21 paraísos fiscais, segundo a informação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Na lista aparecem também nomes como os do jogador Lionel Messi, do diretor de cinema Pedro Almodóvar e a irmã mais velha do rei Juan Carlos I, Pilar de Borbón.

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