Armênia ameaça reconhecer independência de Nagorno Karabakh

Tbilisi, 4 abr (EFE).- O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, ameaçou nesta segunda-feira reconhecer a independência do enclave de Nagorno Karabakh se os atuais combates com o Azerbaijão desembocarem em um conflito a grande escala.

"Se as ações militares continuarem e desembocarem em ações militares a grande escala, a Armênia reconhecerá a independência da República de Nagorno Karabakh", disse Sargsyan, segundo informou a presidência armênia.

Sargsyan lembrou que já encarregou à Chancelaria armênia a assinatura de um acordo de assistência militar mútua com Nagorno Karabakh, território montanhoso cuja soberania é disputada por Armênia e Azerbaijão desde 1988.

O presidente denunciou que, apesar de seu anúncio de cessação unilateral das ações militares do domingo, o Azerbaijão continua sua ofensiva com o uso da artilharia contra áreas povoadas do enclave, de menos de 200 mil habitantes, em sua maioria armênios.

"Das declarações da Chancelaria e do presidente desse país (Ilham Aliyev) é evidente quem atacou Nagorno Karabakh. Esperamos que todas as partes exijam a Baku explicações sobre os motivos do reatamento das ações militares", ressaltou.

A respeito, Sargsyan criticou a passividade da comunidade internacional.

O líder armênio propôs hoje a cessação das hostilidades com o Azerbaijão pelo controle do enclave, embora condicionado a que todos os grupos retornem a suas posições iniciais.

"A Armênia e Nagorno Karabakh defendem a cessação das ações militares e o restabelecimento do cessar-fogo de 1994, e também o retorno de todas as unidades militares às posições que ocupavam antes de 1 de abril de 2016", disse Sargsyan durante uma reunião com os embaixadores da OSCE.

Caso contrário, advertiu, "uma maior escalada das ações militares pode acarretar em consequências imprevisíveis e irreversíveis, incluída uma guerra a grande escala".

Em resposta, a Chancelaria de Baku garantiu que está disposta a aceitar um cessar-fogo, mas antes as tropas armênias devem abandonar Karabakh e a faixa de territórios que ocupam no Azerbaijão, cuja a integridade territorial deve ser restabelecida em virtude das resoluções da ONU.

O Azerbaijão, que suspendeu unilateralmente as ações militares no domingo, embora prossigam os combates na zona, se nega a ceder os pontos estratégicos de Nagorno Karabakh que retomou no sábado.

A tomada dessas cinco colinas e duas localidades, que as unidades militares azerbaijanas reconquistaram após a explosão no sábado dos combates mais sangrentos desde 1994, permitiu ao presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, clamar no domingo vitória.

O atual conflito explodiu quando a então região autônoma azerbaijana de Nagorno Karabakh, de população majoritariamente armênia, pediu em 1988 sua incorporação na República Soviética da Armênia, o que desembocou em repentinos surtos de violência étnica. EFE

io/ff

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos