Austrália investiga 800 pessoas citadas em documentos do "Panama Papers"

Sydney (Austrália), 4 abr (EFE).- As autoridades da Austrália estão investigando 800 cidadãos do país por possíveis evasões fiscais ligadas ao escândalo batizado de "Panama Papers", informou nesta segunda-feira a imprensa local.

O "Panama Papers" envolve a divulgação de milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca sobre a criação de milhares de empresas offshore em paraísos fiscais, um escândalo que envolve 140 políticos e funcionários públicos de todo mundo, entre 12 chefes de Estado antigos ou atuais.

Os 11,5 milhões de documentos de quatro décadas de operações da Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e patrimônios, contêm informações de cerca de 214 empresas offshore em mais de 200 países e territórios. O material foi divulgado por vários veículos da imprensa mundial sob a coordenação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

"Atualmente identificamos mais de 800 contribuintes e vinculamos mais de 120 deles a um fornecedor associado de serviços em Hong Kong", disse o Escritório Australiano de Impostos ao jornal "The Australian Financial Review".

De acordo com a emissora local ABC, os suspeitos australianos estão principalmente vinculados à Popular Corporate Service Limited, uma das empresas usadas pela Mossack Fonseca para evasão fiscal.

Em comunicado enviado à "ABC", o subcomissário do Escritório Australiano de Impostos, Michael Cranston, esclareceu que as informações sobre esse possível crime tributário incluem alguns contribuintes que já tinham sido investigados.

"Há também um grande número de contribuintes que não conhecíamos antes, entre eles indivíduos ricos, e já estamos adotando medidas nesses casos", acrescentou Cranston.

Segundo a investigação liderada pelo ICIJ, da qual participaram a "ABC" e o "The Australian Financial Review", a Mossack Fonseca frustrou as investigações na Austrália e, inclusive, buscou impedir que o país troque informações tributárias com Samoa, um dos paraísos fiscais usados pela companhia panamenha.

De acordo com a "ABC", o Escritório Australiano de Impostos analisou as informações reveladas pelo "Panama Papers", depois de ter recebido os documentos de diversas agências internacionais, e identificou "padrões de grupos de contribuintes individuais e consultores financeiros para futuras investigações".

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