Ex-presidentes de Chile e Uruguai criticam "populismo" no Brasil

Buenos Aires, 4 abr (EFE).- Os ex-presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e do Uruguai, Julio María Sanguinetti, afirmaram nesta segunda-feira em Buenos Aires que as crises de Brasil e Venezuela são consequência de governos "populistas", enquanto louvaram a gestão de Mauricio Macri na Argentina.

Durante o seminário internacional "Análise da Situação da América Latina e da Conjuntura Mundial" organizado hoje pela Câmara Argentina de Comércio, Piñera afirmou que "cedo ou tarde, os processos de populismo cobram seu preço", em referência à atual crise no Brasil, onde, segundo ele, existe uma grande "desconfiança e descontentamento social".

"Há governos que para tentar reter o poder caíram no campo do populismo e da demagogia", criticou ainda em referência ao Brasil, cuja situação definiu como um "caso desesperante" devido à ausência de "estado de direito, separação de poderes, liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos".

Sanguinetti, por sua parte, lembrou da "insustentabilidade" da conjuntura venezuelana e afirmou que a crise "profundamente estrutural" do Brasil se deve ao populismo e ao avanço da corrupção, fruto da "tentação" gerada após a grande distribuição de renda ocorrida durante os anos "gloriosos", em referência ao período entre 2003 e 2012.

Piñera governou o Chile entre 2010 e 2014 enquanto Sanguinetti cumpriu dois mandatos no Uruguai: de 1985 a 1990 e de 1995 a 2000.

Em relação à Argentina, o ex-presidente uruguaio disse que o país está vivendo "um processo de reacomodação de suas estruturas", após tentativas de funcionar da maneira equivocada.

Piñera concordou com seu diagnóstico ao assinalar que se trata de um país "imensamente rico" que passou "décadas de políticas públicas equivocadas" com um Estado "superdimensionado" e "asfixiante" que permaneceu "isolado" durante muito tempo, razão pela qual definiu o governo do conservador Macri como uma "grande esperança e oportunidade".

Nesse sentido, o ex-presidente chileno destacou medidas como a reunificação cambial, a eliminação de impostos, o fim das distorções e os acordos de governabilidade que vão a permitir à Argentina "recuperar o rumo no contexto mundial".

Além disso, ambos lamentaram que a América Latina "se divorciou" dos pilares básicos "que fundamentam o desenvolvimento", como a luta contra a pobreza e a economia de mercado.

"Temos que preocupar-nos com quais são os novos pilares para bater o sapato e deixar para trás esses 200 anos (desde as façanhas independentistas da América Latina) porque não estivemos à altura", opinou Piñera.

"A corrupção está debilitando à democracia", concluiu, por sua parte, Sanguinetti.

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