Família de primeiro-ministro paquistanês nega ilegalidades em suas sociedades

Islamabad, 4 abr (EFE).- A família e o governo do primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, negaram nesta segunda-feira qualquer tipo de ilegalidade nas revelações feitas no "Panama Papers" que possuem companhias em paraísos fiscais.

A filtragem de 11,5 milhões de documentos de quase quatro décadas do escritório panamenho Mossack Fonseca revelou que três dos quatro filhos do líder: Hussain, Maryam e Hassan, criaram companhias nas Ilhas Virgens Britânicas através das quais controlam propriedades em Londres.

"Esses apartamentos são nossos da mesma forma que as companhias no exterior ", disse Hussain à televisão paquistanesa "Geo TV".

"Não há nada errado nisso e nunca escondi. De acordo com as leis britânicas e de outros países, este é um modo legal de evitar impostos desnecessários", indicou Hussain.

O filho do político, que foi acusado de corrupção no passado, afirmou que deixou o Paquistão em 1992 e ao não ser residente em seu país de origem, não tem a obrigação de declarar suas posses às autoridades paquistanesas.

O ministro da Informação paquistanesa, Pervez Rasheed, ressaltou em entrevista coletiva em Islamabad que os documentos do Panamá mostram que Sharif não possui ativos no exterior, como sempre defendeu e que pertencem a seus filhos.

"Os filhos de Sharif estiveram vivendo no exterior durante muito tempo e não tiveram permissão para voltar, por isso que iniciaram negócios fora do país. Não há nenhum crime nisso", disse o ministro.

Rasheed lembrou que os ativos da família Sharif foram naturalizados pelo governo nos anos 70 e manteve que cada pessoa "tem o direito de fazer o que quiser com suas propriedades, seja atirá-las ao mar, vendê-las ou estabelecer um fundo".

Além disso, o ministro ressaltou que os fundos foram criados por Hussain e não por Maryam, que muitos consideram a herdeira política de Nawaz.

O líder opositor Imran Khan afirmou na rede social Twitter que "a riqueza dos Sharif ficou exposta" como defendeu no passado e pediu às autoridades fiscais e eleitorais uma investigação.

Sharif, que deixou o Paquistão após um golpe de Estado em 1999, negou sempre as alegações de que possuía ativos no exterior.

No "Panama Papers" foram nomeados quase 200 paquistaneses com contas em paraísos fiscais, entre eles políticos, juízes e empresários.

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