Funcionários do governo e traficantes mexicanos aparecem nos Panama Papers

Cidade do México, 4 abr (EFE).- Um funcionário terceirizado do governo mexicano, Juan Armando Hinojosa, um ex-diretor da Petróleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya, e um sócio do narcotraficante Joaquín "El Chapo" Guzmán são algumas das figuras do México que aparecem nos Panama Papers, o maior vazamento de documentos da história.

Segundo o portal de notícias "Aristegui Notícias" e a revista "Proceso", que fazem parte do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), entre os 11,5 milhões de documentos de quase quatro décadas do escritório panamenho Mossack Fonseca se revela que Hinojosa, dono da empresa Higa, ocultou até US$ 100 milhões em paraísos fiscais.

A rede de empresas com as quais Hinojosa pretendia ocultar esta fortuna foi criada um mês depois que foi revelada a compra de um luxuoso imóvel por parte de Angélica Rivera, esposa do presidente Enrique Peña Nieto, do Grupo Higa, que ganhou milionários contratos na atual administração.

Segundo a investigação jornalística, Hinojosa criou cinco empresas no nome de sua mãe e as localizou nas ilhas Nevis e nas Ilhas Virgens Britânicas e as registrou em contas bancárias dos Estados Unidos, legalizando o movimento como um donativo em favor de sua progenitora.

Em seguida, criou dois fideicomissos à Nova Zelândia e buscou transferir os recursos dos Estados Unidos. Foi a partir deste momento que requereu os serviços do Mossack Fonseca, que atuou no Panamá, na Holanda e no Reino Unido, onde criou uma empresa de fachada que encobria o rastro de Hinojosa.

Este caso é provavelmente o mais simbólico dos Panama Papers no país, pois, apesar de não afetar diretamente membros do gabinete, mostra a familiaridade de muitos personagens públicos com a evasão fiscal.

Já o ex-diretor da Pemex, Emilio Lozoya (2012-2016), aparece em 2011 interessado em criar uma sociedade com o escritório panamenho através de Dubai, apesar de não se saber se foi concretizado.

Em comunicado, Lozoya negou "categoricamente" ter registrado empresas no Panamá, ter contas bancárias no país ou relações com o Mossack Fonseca.

Na investigação também foram descobertos laços do escritório panamenho com cartéis das drogas.

Em 2007, o Mossack Fonseca criou uma sociedade que abandonou meia década mais tarde, depois que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos Estados Unidos relacionou a companhia com o traficante colombiano Jorge Milton Cifuentes, sócio de "El Chapo" Guzmán, líder do Cartel de Sinaloa.

Nos anos 1980, a firma panamenha também criou duas empresas para um dos líderes do Cartel de Guadalajara, Rafael Caro Quintero.

O escândalo, que já atinge 140 políticos e funcionários públicos de todo o planeta, também chegou aos veículos de comunicação mexicanos.

O presidente da "TV Azteca" e um dos homens mais ricos do México, Ricardo Salinas Pliego, usou duas empresas offshore com as quais comprou obras de arte, e controlava um navio com bandeira das Ilhas Cayman.

A estas acusações, a equipe de Salinas Pliego respondeu que sempre atua com "estrito apego ao direito" e que não comentará o "jornalismo marrom".

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